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jun 05 2012

A experiência arcade definitiva: Sharp X68000

Todos nós que admiramos a retrocomputação normalmente gostamos de ver as diferenças nas portagens dos jogos, notando o trabalho dos programadores em simplificar gráficos que originalmente possuíam inúmeras cores, espremendo desenhos imensos em representações de sprites menores, e ao menos tentando manter ao máximo a jogabilidade do título original.

O foco dos jogos desenvolvidos para os micros das décadas de 80 e 90 era proporcionar a melhor experiência arcade possível dentro das limitações de cada plataforma, mas às vezes tínhamos algumas decepções, em contrapartida também éramos agraciados com jogos que já eram ou se tornaram grandes clássicos.

Enquanto praticamente em todos os cantos do mundo esta era a realidade, os japoneses foram abençoados com uma plataforma surpreendente e a frente de seu tempo. Em 1987 surgia o primeiro e fantástico Sharp X68000, que conseguiu com maestria levar a experiência arcade definitiva aos lares orientais, e a alguns felizardos mundo a fora.

 

Um X68000? Mas como você conseguiu um?

Na verdade foi tudo um “casamento perfeito”, pois se dependesse das oportunidades, e principalmente, de minha condição financeira, eu jamais teria um micro destes tão cedo, ou se é que eu conseguiria ter um (ou coragem para pagar o quanto ele vale).

Em um determinado momento, cerca de um a dois meses antes de conseguir este micro, eu havia comprado dois pseudo consoles muito diferentes e raros, um BBG NES e um Realtec Ezcom, sendo máquinas diferentes representando uma mistura exótica de um drive de disquetes 3 1/2 de alta densidade somado aos consoles Famicom e Sega Mega Drive, respectivamente.

O amigo e colecionador Ricardo Wilmers, poucos minutos após eu ter divulgado estas máquinas nas listas de retrocomputação, me enviou um e-mail pedindo imediata prioridade na negociação futura destes “alienígenas”, caso um dia eu fosse vendê-los ou trocá-los.

Enfim, no acontecimento do 9º Encontro de Applemaníacos em SP tive a oportunidade de conhecer o Wilmers pessoalmente e receber uma proposta irrecusável para trocar a primeira versão de um Sharp X68000 pelos dois “microcomputadores consoles” de uma vez. Creio que foi uma troca interessante para ambos, pois o Ricardo, como colecionador sério e dedicado, possui vários micros da plataforma X68000, e tenho certeza de que as duas máquinas que eu tinha em mãos foram uma aquisição raríssima para sua galeria, e ao mesmo tempo para mim foi uma oportunidade de ouro em tornar realidade algo que antes para mim não passava de devaneios.

 

Mas o que torna um X68000 tão interessante assim?

Realmente era uma pergunta que eu também me fazia, pois se analisar suas especificações de forma crua, vemos que ele não parece ser nada tão fantástico assim, veja:

  • Velocidade do CPU:
    • Modelo X68000: Motorola 68000 / 10 MHz
    • Modelo XVI: Motorola 68000 / 16 MHz
    • Modelo X68030: Motorola 68030 / 25 MHz
  • ROM: 1 MB (BIOS de 128 KB, gerador de caracteres de 768 KB)
  • RAM: 1-4 MB (Expansível até 12 MB)
  • VRAM: 512 KB (gráficos) + 512 KB (textos) + 32 KB (sprites)
  • SRAM: 16 KB
  • Resoluções de tela:
    • 256 x 240
    • 256 x 256
    • 512 x 240
    • 512 x 256
    • 512 x 512
    • 640 x 480
    • 768 x 512
    • 1024 x 1024
  • Máximo de cores simultâneas na tela: 65536
  • Quantidade de sprites: 128 simultâneos, com até 32 sprites por scanline
  • Tamanho dos sprites: 16 x 16
  • Cores dos sprites: 16 cores por paleta, selecionável através de 16 paletas
  • Resoluções de plano de fundo: 256 x 256 ou 512 x 512
  • Mapeamento de plano de fundo (tilemap): 8 x 8 ou 16 x 16
  • Manipulação de gráficos via hardware: scroll, prioridades e super-impose
  • Processadores de áudio:
    • Yamaha YM2151 (Oito canais de som FM em estéreo)
    • OKI MSM6258v (Um canal ADPCM de 4 bits mono)
  • Expansão: 2 slots (4 nos modelos Pro)
  • Portas I/O (entrada e saída):
    • 2 entradas de joystick padrão MSX
    • Entrada e saída de áudio
    • Porta para óculos 3D
    • Controle de TV / Monitor
    • Entrada e saída de imagem RGB/NTSC
    • Drive de disquetes externos (suporta até 2)
    • SASI/SCSI (dependendo do modelo)
    • Porta serial RS232
    • Porta paralela
    • Entrada de fone de ouvido e microfone
  • Drives de disquetes com ejetor via software:
    • Dois drives de 5.25″
    • Dois drives de 3.5″ (nos modelos Compact)
  • Disco rígido: 20-80 MB SASI/SCSI (dependendo do modelo)

Ok, depois de toda esta parafernália de informações técnicas, muito antes de conhecer pessoalmente a plataforma, eu ficava me perguntando e afirmando algumas coisas:

  • A plataforma Amiga tem menos canais de som, mas são 4 canais de som digital de 8 bits em estéreo, isso já deve desbancar um X68000
  • Tamanho de sprites com apenas 16×16 pixels? Isso MSX 1 dá conta!
  • Som FM de oito canais? E daí? MSX 2+ tem 6 canais de FM e mais 3 do PSG.
  • Motorola 68000? O Amiga, os primeiros Macs e o Atari ST também tem!

Ano passado tive algumas curiosidades a mais, baixei alguns emuladores, vi alguns vídeos por aí, mas quando comecei a procurar por valores o interesse foi por água abaixo.

O que ele tinha de tão especial? Jogar ele em um emulador me lembra o MAME, pensei que não havia nada interessante em ver um jogo que tivesse uma imagem que parecesse tão arcade, pois gosto muito de conviver com as limitações de meus amados micros 8 bits, e esta é a mágica da coisa.

O problema foi quando vi um X68000 ligado pela primeira vez, e mesmo com o som saindo de seu falante interno, pensei comigo mesmo “Isso é mais interessante do que imaginava”.

Ver aqueles drives de disquetes sendo ejetados por software, e ainda notar que o micro é capaz de rodar grande parte de seus títulos em um monitor VGA comum, me transmitiu um sentimento de conflito interno entre a paixão “pixelada” de 8 bits contra uma divindade japonesa que no primeiro instante faz qualquer retrogamer ficar de queixo caído.

Sem desmerecer qualquer um dos micros que citei nas comparações, pois cada um tem a sua magia especial que nos envolve, hoje consigo responder minhas questões que antes não passavam de especulações:

  • O Amiga tem um som incrível, mas o X68000 tem o som equivalente a uma geração inteira de arcades clássicos da época
  • Junte uma quantidade imensa de sprites de 16×16 pixels sem piscar ou sem ter slowdown. Nunca vi nenhum microcomputador de 16 bits manipular sprites com tanta facilidade.
  • O som FM do X68000 é provido por um processador de primeira linha, não é igual ao Yamaha 2612 do Mega Drive ou a um Yamaha 2413 de um MSX 2+, ele está um patamar acima.
  • Motorola 68000? Alguns megahertz a mais contam sim, e se somado a circuitos integrados customizados a máquina se torna um verdadeiro monstro (nem consigo imaginar um 68030 nesta máquina).

Tudo muito bom, tudo muito legal, mas enfim levei o X68000 para casa com o teclado cinza emprestado pelo Wilmers (pois iremos destrocar pelo teclado preto) e obviamente, vai começar a “novela” das pequenas manutenções que todo micro com certa idade merece…

 

Do “rico ao pobre”, o destino das máquinas é o mesmo…

Eletrônica é eletrônica, não tem como fugir das leis da física, não é mesmo?

Chegando em casa com meu tão sonhado X68000, depois de me divertir um pouco estava na hora de abrir a criança para verificar os ingratos capacitores polarizados, e dar uma manutenção nos drives de disquetes que estavam apresentando uma leitura irregular.

Apesar da maioria dos sites sobre o X68000 estarem em japonês, existem alguns em inglês e com bom conteúdo, caso do Wiki do “GameSX“, e foi nele que pude observar algumas dicas interessantes para prestar uma boa manutenção nos drives.

Não foi fácil desmontar todo o monstrinho, posso comparar ele como um “grande notebook”, com uma quantidade absurda de parafusos que deixa o “recordista” anterior no chinelo (o Tandy 1000 HX). Veja abaixo uma foto de menos da metade do processo concluído:

E para dar mais emoção nesta aventura, descobri durante a desmontagem que a lista de capacitores não batia, pois minha placa mãe é diferente por se tratar do primeiro modelo lançado, e para piorar, os drives também tinham diferenças em relação a todos os sites que acessei. Mas não foi o suficiente para me descabelar, nada que algumas anotações e atenção não resolvessem:

O que mais me surpreendeu foi ver o quanto as placas são bem feitas, e ainda por cima existem diversos módulos que são conectados uns aos outros:

Troquei o máximo de capacitores eletrolíticos que foi possível, além de ter trocado a bateria tambor que já tinha vazado e contaminado os componentes próximos e a placa mãe:

Para minha sorte, reafirmo que a placa mãe e componentes realmente são de primeira linha, pois apesar do vazamento de ácido as trilhas estavam firmes e fortes, bastou limpar com álcool isopropílico e escova.

Não posso me esquecer de que graças as recomendações do amigo Nelson Antonio Gomes foi possível realizar certos procedimentos sem cometer erros, como no caso da substituição da bateria:

E por fim, depois de tudo montado novamente, drives alinhados, placa limpa, bateria trocada e capacitores substituídos, me coloquei na árdua e ao mesmo tempo divertida tarefa em gravar os jogos em disquetes de 5 1/4.

Para não me estressar com a falta de disquetes, tratei logo de comprar 10 caixas, resultando em 100 discos, ao qual tive sorte em pegar um ótimo preço através do amigo Odair, conhecido no Mercado Livre como “Audio Discos“.

Apesar da idade dos discos, para minha felicidade apenas três dos 100 disquetes apresentaram problemas que impossibilitaram a utilização.

O chato mesmo foi utilizar o software Xfloppy e ser obrigado a instalar o Windows 95 em uma máquina, mas tudo bem, o micro já era um PC que uso para transferir os jogos para o drive do Commodore 64 e para o Apple //e.

O resultado final pode ser conferido abaixo:

 

“Brinde surpresa”

Tenho que confessar que quando trouxe o X68000 para casa no primeiro dia curti alguns jogos legais que o Wilmers me emprestou, antes mesmo de efetuar qualquer manutenção. O problema é que ao mesmo tempo rolava uma certa lombriga pois vários títulos de peso, principalmente os da Capcom, exigiam 2 Mb de RAM, e o meu X68000 vinha por padrão com apenas 1 Mb de memória na placa.

No ato da manutenção, percebi algo curioso e que pesquisando um pouco descobri ser uma expansão extra que deixava o micro com 2 Mb de RAM!

Se tinha a expansão, porque os títulos que exigiam 2 Mb não estavam rodando?

Passei a estudar mais a fundo a plataforma, e descobri que no disco de sistema do micro há um aplicativo chamado SWITCH, que altera algumas configurações do sistema, como se fosse praticamente uma BIOS.

Deixei então com 2 Mb de RAM e corri para o abraço… Porém, os jogos travavam ou apareciam mensagens em japonês.

Investigando melhor na manutenção geral, descobri que a memória estava com solda fria no conector do barramento e troquei o único capacitor da placa, e pronto, tudo passou a rodar perfeitamente.

 

Saída de vídeo

Foi interessante observar que o X68000 pode ser ligado em um VGA comum, porém, em alguns casos é necessário uma sequência de comandos ou pressionamento de uma tecla para mudar para 31 KHz (padrão dos monitores modernos), mas infelizmente existem alguns títulos que não possuem este recurso, caso do jogo Twin Bee original do arcade, que sem o monitor específico não é possível ver a imagem.

Como o micro dá suporte a 15, 24 e 31 KHz, então pensei em utilizar meu monitor LCD Samsung 510N, já que este monitor suporta 15 KHz, porém, não deu certo. Depois o Nelson me informou que isso ocorre pois a sincronia em 15 KHz muda para digital.

No fim das contas acabei por desistir da utilização de monitor LCD em meu X68000 pois as resoluções quadradas em proporção 1:1 acabam cortando a parte inferior da tela:

Não tenho do que reclamar, pois no monitor CRT, o famoso “tubão”, a imagem ficou impecável e até mesmo as resoluções mais estranhas rodaram tranquilamente, caso da 384×224 pixels dos jogos convertidos da placa de arcade CPS (Capcom):

Alguns títulos ficam um pouco para esquerda, direita ou não ocupam a tela inteira mesmo esticando a imagem no máximo nas regulagens do monitor, mas nada que incomode de forma alguma, pois o resultado é muito nítido e de excelente qualidade.

 

Mas isso ainda usa drives de disquetes, não dá dor de cabeça?

Nos modelos posteriores ao meu, é possível usar HDs internos, seja SCSI ou SASI (dependendo do modelo do micro). O procedimento não é complicado, o problema é que se for utilizar um HD IDE o preço do conversor é um absurdo, além de ter que prestar atenção em adquirir um conversor que seja compatível e há ainda a necessidade em criar um cabo para adaptar os fios corretamente, conforme mostrado no site GameSX.

E ainda não bastasse o valor investido e adaptações, o micro requer mais memória devido ao carregamento de drivers para reconhecer o disco, e os jogos precisam ser instalados e adaptados um a um. Tudo bem, este último item não é mais problema, pois também no site GameSX é encontrado facilmente imagens de HD com diversos títulos, programas e músicas já instalados.

Logicamente compensa muito usar um HD, pois o carregamento dos jogos é quase instantâneo e torna a experiência mais prática, sem dúvida.

No meu caso atualmente, não tenho do que reclamar, pois o micro carrega em uma velocidade bastante aceitável os jogos mesmo através dos disquetes, além de agraciar o usuário muitas vezes com temas musicais enquanto o jogo é carregado.

Há alguns jogos que quando o usuário tem 2 Mb de RAM, ele demora mais para carregar porém armazena uma maior parte ou até mesmo o jogo inteiro na memória, evitando o carregamento entre as fases. É uma espera que vale a pena para não quebrar o clima de ação depois.

São poucos, mas existem alguns jogos que abusam da paciência, caso do “Super Hang On” que demora alguns MINUTOS para efetuar um uma contagem inicial de processamento (pois o jogo já está carregado), e o “Star Wars: Attack on the Death Star“, que testa sua paciência com a música tema da cantina do filme e créditos dos desenvolvedores, ao qual no final ejeta os discos e roda todo o jogo da memória (ufa!).

 

Plataforma a frente de seu tempo

O X68000 muitas vezes é comparado como um “Commodore Amiga japonês”, e creio que de certa forma esta afirmação tem sua verdade, pois tanto a Commodore quanto a Sharp utilizaram processadores customizados para complementar e apoiar um CPU bem conhecido e empregado na época, porém, a Sharp foi além no desenvolvimento de um processador de vídeo mais eficiente trabalhando com memórias distintas para cada finalidade, fazendo com que o X68000 seja capaz de exibir mais de 65 mil cores na tela e mantenha a velocidade em um ritmo frenético.

Alguns jogos são capazes de rodar em resoluções altas mantendo ainda o scroll liso e animação sem segurar o processamento geral. O texto em japonês pode ser provido sem dificuldade e com alta qualidade de resolução através da memória dedicada para esta finalidade, e os sprites se deslocam com uma suavidade tão impressionante que na época isso era visto somente nos arcades.

Você consegue imaginar em 1987 um microcomputador rodando seu ambiente DOS na resolução de 1024×1024 pixels, com caracteres quase tão nítidos quanto um PC moderno?

É possível ainda em alguns jogos utilizar som MIDI através de módulos como MT-32SC-55 e outros, tornando a qualidade das trilhas musicas uma verdadeira orquestra.

Provando que o objetivo da máquina era alcançar o futuro, o X68000 ainda possui uma entrada para óculos 3D, e que apesar de ser um recurso pouco explorado, não deixa de ser interessante. Vi em alguns lugares que é facilmente adaptável um óculos 3D de Master System ou qualquer outro que trabalhe com mudança alternada de frames (LCS Glasses). Um título que fiquei curioso e possui o recurso 3D é o Fantasy Zone, não que eu considere o jogo digno de nota, porém, segundo alguns fóruns o efeito é bem convincente.

Me impressionou ver o jogo YS II em alta definição (para a época) e mantendo o ritmo sem perder a performance.

 

Chega desta tortura, eu quero saber dos jogos…. JOGOS !!

Agora é que a tortura começa para os entusiastas.

Imagine uma conversão pixel a pixel do Final Fight da máquina, com uma jogabilidade perfeita, música idêntica ao arcade e tudo mais?

E o mesmo vale para o clássico “Alien Syndrome”:

Achou pouco? Então assista um pouco de “Strider”:

E que tal ver se o micro aguenta um estilo de polígonos 3D clássico da época? Conheça “Star Wars: Attack on the Death Star”:

Não gostou de ver polígonos wireframe? Então saiba que alguns jogos chegaram a exibir polígonos com superfície (flat). Segue abaixo o vídeo de “Geograph Seal”, título precursor do jogo “Jumping Flash” do PSX, mas que trilha um enredo mais sério:

Dá até pra arriscar uma conversão de um jogo que originalmente usava dois CPUs Motorola 68000 no arcade, caso do “Thunder Blade”:

Mostrei nestes vídeos (que não são de minha autoria) apenas uma pequena porção da galeria de jogos presentes para o X68000, valendo mencionar também a série Gradius, que está impecável nesta plataforma com conversões fantásticas, que vai desde o primeiro Gradius, até mesmo a duas versões “bombadas” do Gradius II vindas do MSX, o Nemesis ’94, mantendo o design original do MSX, e o Nemesis 90′ Kai, sendo um remake completo. No meio da saga não posso deixar de notar inclusive o Gradius II do arcade para o X68000, conhecido como “Gofer no Yabou” ou “Vulcan Venture”.

Percebe-se que jogos Shoot ‘em up é que não faltam. Entre a imensa galeria de jogos deste estilo, destacam-se clássicos como Salamander, R-Type, Parodius Da!, Twin-Bee (Detana!), Star Force, Dragon Spirit, Xevious, Bosconian, Galaga 88 e muitos outros.

E para não dizer que o micro não consegue alegrar “gregos e troianos”, meus filhos também gostaram muito da máquina e me ajudaram a testar alguns jogos. Abaixo meu filho mais velho se divertindo com o interessante “Mad Stalker Full Metal Force“:

Também existem jogos de ação e plataforma, e dos títulos que testei e me chamaram a atenção destacam-se Akumajou Dracula (Castlevania), Bomberman, Bonanza Brothers, Baraduke, Daimakaimura (Ghost n’ Ghosts), Street Fighter II Champion Edition, entre muitos outros.

 

Tudo perfeito demais, mas não tem algo “fora do lugar”?

Lógico, toda plataforma tem seus jogos abomináveis, neste caso o que vem em minha memória é a conversão HORRÍVEL do Chase HQ, prefiro jogar a versão do ZX Spectrum, sem brincadeira alguma.

Para satisfazer a curiosidade dos perfeccionistas extremos, por exemplo, é notável que devido ao único canal de som digital, no jogo Final Fight não há o som do trem na segunda fase, não há o som da torcida ao lutar com o SODOM, e mais uma coisinha ali e aqui, mas nada que tire a medalha de melhor conversão do Final Fight para um microcomputador.

No caso do Street Fighter II Champion Edition, rola um comentário aqui e ali de que faltam canais de som a ponto da máquina não ser capaz de manter a bateria digital junto com as vozes dos personagens, o que é verdade em casos como o meu, onde o micro está com uma configuração mínima para rodar o título, e logicamente sou obrigado a dizer que isso influenciou um pouco na qualidade das músicas e efeitos durante o jogo, pois as baterias e vozes são interrompidas para dar lugar ao próximo canal de som digital. Porém, esta falta é corrigida se você tiver um X68000 com 4 Mb de RAM e 16 Mhz, então um novo driver é carregado e o micro faz a mixagem via software de 4 canais de som ADPCM sem perder qualidade. Se o usuário for insistente, desde que tenha 4 Mb de RAM, dá para trocar os arquivos e forçar esta condição em um CPU de 10 Mhz, e pelo que notei através de emuladores não há queda perceptível de performance.

Já no caso do Super Street Fighter II, por sinal uma conversão incrível, é necessário mesmo 16 Mhz e 4 Mb de RAM, aí já não tem para onde correr.

Um jogo que lutou e “morreu na praia” foi a conversão do “View Point“, jogo original do console e arcade Neo-Geo. No X68000 as animações estão boas, mas a velocidade e música ficaram severamente comprometidas em relação a outros títulos de peso. Para encarar este jogo só mesmo em um 68030, o que não vejo motivos para isso pois o jogo não deveria ser tão pesado.

O que senti muito é que não dá para curtir alguns bons RPGs devido a necessidade de conhecimento total da língua japonesa, não sendo possível prosseguir nem em poucas cenas sem testar sua paciência.

Outra coisa que me incomodou um pouco é a quantidade imensa de jogos estilo Shoot ‘em up que a plataforma ostenta. Apesar da grande parte serem bons jogos, chega a cansar ver tantos jogos relativamente parecidos.

Em contraposição com conversões fantásticas de jogos de arcade vindos da Namco, Capcom, Konami e outras softhouses, existem alguns jogos que já não tem tanto brilho e parecem ter sido desenvolvidos por equipes pequenas ou até mesmo amadoras. Uma conversão que ficou medíocre foi a do jogo “Wings of Fury”, que perdeu feio para a versão do Commodore Amiga, por exemplo.

Também senti falta de alguns títulos que mereciam uma conversão para o X68000, como Splatter House, Altered Beast, Golden Axe, Shinobi, e até mesmo Out Run, mesmo que recebesse algumas simplificações para manter a velocidade (como fizeram com o Thunder Blade).

O ponto mais negativo do X68000 é o preço exorbitante de tudo o que diz respeito a ele. Os itens mais acessíveis (mas normalmente caros) são as expansões de memória. Os jogos originais, apesar de LINDOS, também tem o preço bem salgado, ainda mais os títulos da Konami e Capcom. Um mero teclado ou mouse avulso não ficam de fora, podendo sair por quase metade do valor da máquina. E para fechar com chave de ouro, se quiser uma placa aceleradora ou coisas do tipo, pode se preparar para desembolsar várias vezes o valor da máquina, isso se encontrar alguma placa assim.

Devido a raridade e constante aumento do valor de mercado, um ponto que pode ser preocupante é que se um X68000 vier a dar problemas em qualquer um de seus processadores customizados, será muito complicado efetuar a manutenção do mesmo ou encontrar partes a preços acessíveis.

Então não é possível que alguém aponte o X68000 como a plataforma perfeita e definitiva, mas sinceramente, a nível de 16 bits é a máquina mais poderosa que já vi pessoalmente.

 

Desenvolvimento

Por falta de tempo ainda não testei a plataforma como máquina de desenvolvimento, mas fiquei muito impressionado em ver alguns programas de demonstração feitos em X-Basic, bem como me deixou satisfeito saber que existe compiladores C para a plataforma.

O problema maior é a necessidade em se conviver com algumas mensagens em japonês, o que pode ser um martírio algumas vezes.

Da lista de “homebrews”, posso citar o estranho Vagrant Fighter FX, os interessantes Sion II e Sion IV, e o fantástico freeware Cho Ren Sha, que por sinal existe uma conversão gratuita para Windows também.

 

Conclusão

Não há duvidas que há os prós e contras, como toda plataforma possui, mas também não posso deixar de ressaltar a impressionante capacidade da máquina por completo.

Além de ser, sem dúvida alguma, a experiência arcade definitiva a nível de retrocomputação, o X68000 me transmitiu uma sensação da mistura turbinada de um MSX e do Amiga, seja na abordagem de alguns jogos (que me remetem como deveria ser um MSX 3), ou com seu estilo de cair a casa com bons gráficos (que passam a sensação do Amiga).

Finalizo dizendo que se por acaso aparecer uma oportunidade de uma máquina destas sendo oferecida a você com um valor que caiba no seu bolso, não pense duas vezes, a satisfação é garantida!

PS: Alguns dos links de vídeo anexados a este artigo demonstram jogos rodando sob o ambiente de sintetizadores SC-55 ou MT-32, ao qual não representam o áudio original da máquina (som FM), e para ser sincero muitas vezes prefiro o som FM pois me pareceu que em alguns títulos a harmonia musical fica melhor em seu formato original.

53 comentários

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  1. Marcelo

    Mais uma excelente matéria. Parabéns!

    1. Mauro Xavier

      Eu é que agradeço a paciência em ler 😉

  2. Antonio S Parra

    Falar oque mais? você sabe muito bem que sou apaixonado por arcades e áudio, faltou citar os jogos da Konami que simplesmente coloca qualquer console no chinelo, feliz mesmo é poder conhecer de tudo um pouco para poder tecer essa excelente conclusão que você fez.

    Abraços amigo.

    1. Mauro Xavier

      Os jogos da Konami são sim um show a parte, o Parodius, Twin Bee Detana e Akumajou Dracula (Castlevania) são fantásticos e tem trilhas sonoras maravilhosas. Fiquei espantando em ouvir as músicas do Parodius e perceber que estão idênticas ao Arcade e mais puras que a versão do SNES.

      Obs.: Corrigi este erro e coloquei links apontando para vídeos destes jogos.

  3. Marcio Lima de Carvalho

    Realmente e a nata do 16 bits japoneses, tem o titulo de sucessor do msx (que e
    o x6800 dos 8 bits) nao e por acaso. best of the best.state of the art.

  4. Juliano

    Ótimo post, realmente um micro único…

    Tempo para uma história, tem uma “lenda”, ouvi essa na época do Clube Misc de MSX, que existia (isso em 1990 mais ou menos), um computador no Japão que era absurdamente superior aos PCs e aos MSXs, e que era proibida por lei, levar esse micro pra fora do Japão, sempre discutimos na época que micro era esse, seria o X68000 ?

    1. Mauro Xavier

      Se for colocar a questão da época e tudo mais, talvez pudesse ser o X68000, pois não achei informações dele sobre qualquer produção ou venda oficial fora do Japão.

  5. Daniel Campos

    Excelente review como sempre!
    É como eu falei, vejo o X68K como o sucessor “de facto” do MSX.

    Abs,
    Daniel

    1. Mauro Xavier

      Ao saber que o X68000 nasceu em 1987, me fez pensar que o MSX 3 poderia ter sido criado com um design de hardware semelhante… Mas aí veio o Turbo R, com todas as qualidades e defeitos que tanto conhecemos (alguns amam, outros nem tanto).

      Ahhh, gostei do avatar 😉

  6. Ricardo Jurczyk Pinheiro

    O Turbo-R é um exemplo de uma máquina mal aproveitada, talvez o hardware + mal empregado q conheço. O Apple IIgs é outro.

    O X68000 é uma máquina espetacular, mas tá alta d+ p/ o meu orçamento. Passo.

    Parabéns pela matéria, é a primeira q leio em português falando longamente e c/ riqueza de detalhes sobre o X68000. Gostei muito!

    1. Mauro Xavier

      Puxa, obrigado… Eu nem tinha me tocado que existe pouca coisa escrita em português sobre o X68000… Acho que vou documentar mais coisas sobre ele mais adiante.

      E quanto ao Turbo-R, não gosto nem de pensar no potencial que foi desperdiçado, seja na concepção da máquina ou até mesmo nos softwares existentes.

      O Apple IIgs foi massacrado pela própria Apple ao sair com um clock tão baixo para não competir com os Macs, se não fosse por isso, imagino se o Apple IIgs tivesse saído com ao menos 8 Mhz de fábrica… Com 12 Mhz ele chega a rodar Wolfenstein 3D com um personagens em resolução superior ao do PC (não digo a resolução da tela). Outro pecado do Apple IIgs foi a utilização de um processador de áudio tão bom, e no fim terem lançado ele em mono, além de também não terem empregado um processador de vídeo com capacidade de sprites via hardware.

      Mas enfim, a história já foi escrita e conhecemos o resultado… Só nos resta lamentar, ou escrever softwares espremendo MUITO aqui e ali para compensar as faltas.

  7. Ritcho

    Maurão,

    simplesmente excelente!

    Tenho um certo fascínio por essa máquina. Muito bom todo o review.

    Parabéns pelo post e pelo X68000.

    Grande abraço!

    1. Mauro Xavier

      Obrigado, meu grande amigo!

  8. Marcelo Bohn

    Bah, excelente post. Valeu cada linha digitada 😀
    Que ítem de coleção, hein? Eu , infelizmente, vou ficar no emulador.
    Aliás , sabes onde posso conseguir um bom emulador, com as roms e o resto?

    Abraço

    1. Mauro Xavier

      Opa, sei sim.

      Pegue aqui a imagem de HD já com os jogos instalados e várias músicas MDX (é o arquivo x68000v3).

      As instruções e emulador recomendado estão aqui. Achei o XM6 bem melhor.

      Baixe apenas o “MasterDisk”, caso precise, não baixe a imagem de HD pois você já irá baixar a última versão, e baixe e use o DiskExplorer apenas se quiser colocar mais arquivos (eu não achei necessário).

      Se precisar de mais alguma coisa, basta dar um toque.

  9. Leonardo Suárez

    Muito bom o review, Mauro, está de parabéns. Eu tenho a mesma sensação que você tinha de que o micro é um pouco supervalorizado, mas dá pra entender que é uma máquina única e que a Sharp realmente focou em trazer o arcade em sua totalidade para um aparelho pessoal.
    Claro que existem diferenças significativas, mas diferente do Amiga, Atari ST e até do Mac, o X68K está mais para um videogame com capacidade de atuar como micro do que o contrário.

    1. Mauro Xavier

      Ele passa esta impressão de “videogame de luxo” (o MSX também já foi chamado disso), mas a plataforma possui ferramentas de desenvolvimento relativamente fortes, e não mencionei no post porque achei desnecessário, mas para você ter uma ideia, o X68030 tem até mesmo sistemas “Unix-like” rodando nativamente, como o OS-9 e o NetBSD.

      A nível de plataforma gráfica do X68000 padrão, mesmo que seja um ambiente relativamente lento, existe o SX-Window, que é interessante, mas só para os japoneses…

      Não mencionei aplicativos pois todos os que encontrei (planilhas, editores de texto etc), apesar de graficamente serem muito bonitos rodando em alta resolução, mais uma vez só servem para os orientais, se não souber japonês, sem chances.

      Enfim, ele está longe de ser um videogame que pode atuar como micro (apesar de passar esta imagem mesmo), no Japão na época ele era considerado uma workstation profissional.

      1. Leonardo Suárez

        Puxa, que legal. Pena que o micro foi tão “localizado” e a Sharp não teve interesse de levá-lo ao mundo, acho que ele competiria facilmente com os outros micros baseados no 68K e talvez até elevasse o nível dessas máquinas já que a concorrência seria maior.

  10. Juliano

    Mauro, já pensou se a SNK tivesse convertido os jogos para o X68000, por que se rola Street Fighter II, Final Fight, não teria problema em portar um Samurai Shodown. Outra coisa que vi, o X68000 e o Amiga são parecidos em configuração, então é de estranhar muito a gigantesca diferença entre o Final Fight de Amiga e o de X68000.

    1. Mauro Xavier

      No caso do Final Fight, SF2, Strider e outros, a diferença foi ter a Capcom programando diretamente para o X68000, e não a lastimável US Gold.

      As softhouses é que fizeram também a diferença no X68000, porque quando testei jogos de empresas menores ou menos conhecidas, nem sempre o resultado era tão bom assim.

      A série Fatal Fury (Garou Densetsu) existe para o X68000, mas só roda bem com 4 Mb de RAM e 16 Mhz. Infelizmente, no caso do Samurai Shodown, não encontrei nenhuma referência para o X68000.

  11. Cantinho do TK90X

    Uma bela matéria a respeito desta plataforma que eu praticamente desconhecia, meus parabéns. Pelo que entendi, não foi somente por causa do hardware que os jogos analisados eram muito bons, mais foi principalmente devido à programação. A linha Amiga, a qual conheço, tem muitos jogos excelentes mas também uma enormidade de títulos que são umas “bombas” de tão mal programadas.

    1. Mauro Xavier

      É exatamente isso. Pense que mesmo nos dias de hoje, os consoles também são penalizados quando há ports ruins.

      Por exemplo, o Playstation 3 sofreu com isso no início da vida, onde as portagens de jogos não ficavam tão boas para ele e sofriam com slowdowns ou resolução mais baixa em comparação com o Xbox 360. Hoje em dia está tudo nivelado e cada console se destaca principalmente pelos seus jogos exclusivos, que aproveita melhor a capacidade de cada um.

      Isso não é nem um pouco diferente dos jogos quando nascem em uma plataforma, por exemplo, eu considero o “Shadow of the Beast” melhor no Amiga, pois nasceu nesta máquina e foi programado pensando nos recursos dela. No MSX 2 temos o Space Manbow, que se comparar graficamente com todos os outros jogos desta plataforma, percebe-se o saldo de qualidade em todos os sentidos.

      Enfim, programação é a chave de se manter uma plataforma.

      1. Jorge

        Concordo que Space Manbow é excelente e impressionante, principalmente por apresentar tamanha qualidade rodando numa plataforma de 8 bits… Mas não acho que seja os melhores gráficos do MSX2. Outros, como Ys III — que se não fosse o scroll grotesco que, infelizmente, era sistemático na maioria dos jogos para o computador, seria superior, até, as versões de plataformas bem mais poderosas, como Mega Drive e Snes, por apresentar mais detalhes gráficos e o dobro de animações em praticamente todos os personagens (nos consoles mencionados, tudo era “espelhado”, o que não acontecia no MSX2)… E mesmo o scroll deficiente desse jogo impressionava pelo uso e abuso de scroll parallax, coisa que era muito rara em jogos de 8 bits de uma maneira geral.
        Outros jogos que considero de mesmo / maior nível de excelencia em relação ao Space Manbow: FRAY, Aleste 2, Fire Hawk, Fantasm Soldier 2, XAK 2, Golvellius, SD Snatcher, Metal Gear 2… E por aí vai.
        A Propósito, excelente a materia sobre o X68000. Já conhecia por meio de emulação e tenho diversos jogos dele aqui.
        Abraço.

        1. Mauro Xavier

          Realmente, destes que você falou acho o Fire Hawk e Aleste 2 IMPERDÍVEIS para o MSX2, joguei muito eles.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  12. Milton dos Santos

    Ola Mauro, parabens pelo post, tira uma duvida pra mim, por favor, é possivel fazer cópias dos games em discos de 5 1/4?, os jogos originais são “travados”?
    Obrigado

    1. Mauro Xavier

      Se for tirar cópias dos discos originais, creio que não devem ocorrer problemas pois não li nada até agora sobre esquemas de proteção.

      Até o presente momento, não tive problema algum em realizar cópias de outros discos gravados ou gravar imagens que peguei na internet.

      Mas deve-se lembrar de que o drive de 5 1/4 deve ser de qualidade e estar bem alinhado (aqui tive que realizar uma boa limpeza). Para se ter uma ideia, de três drives que eu tinha, apenas um foi capaz de ler e escrever perfeitamente os discos.

      Tentei alguns softwares, mas o que se saiu melhor no meu caso foi mesmo o XFloppy, que infelizmente só rodou bem mesmo no Windows 95.

  13. Juliano

    Qual é o tipo de imagem dos discos do X68000 ? é tipo DSK ?

    1. Mauro Xavier

      Na maioria das vezes você vai encontrar as imagens com a extensão .DIM, mas se for passar para um disco de 5 1/4 para usar no hardware real, terá que converter a imagem no formato .XDF para que o XFloppy grave corretamente. O procedimento é bem fácil, basta selecionar tudo e arrastar para a janela do conversor que se chama “Virtual Floppy Image Converter” (foi meio chato de achar, se alguém precisar é só dar um toque que mando por e-mail).

      O emulador aceita qualquer formato, então não precisa se preocupar com isso.

      Aproveitando o assunto, aviso que a emulação do X68000 é boa mas não é perfeita, já vi diferenças nos efeitos, prioridade de planos e mudanças de resolução. No hardware real fica bem melhor.

      1. Juliano

        Pensei que fosse DSK, tenho um programinha que funciona no win7, que converte DSK e IMG direto para disquete….

        1. Mauro Xavier

          Não rola porque o formato de trilhas e setores é diferente do padrão, o software tem que fazer escritas em baixo nível e formatar o disquete antes também.

  14. Giovani Gandelim

    Mauro, parabéns pelo review, está show de bola mesmo, eu tenho o x68000 e confesso que depois dele não tenho nem vontade de ligar mais meu MSX 2+, o X68000 está anos luz na frente do MSX e Amiga, mas me diz uma coisa, que monitor você tá usando ai no video ? Vi que é da Lg, mas qual o modelo ? Quero pegar um monitor legal pro meu X68000. um abraço e parabéns novamente.

    1. Mauro Xavier

      A verdade é que o monitor pode ser praticamente qualquer um VGA de tubo (CRT) mesmo, o que estou usando é o bom e velho Flatron, que é a linha de telas planas da LG. Mas já testei em vários monitores de tubo, praticamente todos mais recentes se saem muito bem, lembrando-se que jogos a 15 Hz precisam ser configurados para 31 Hz, a não ser que o monitor suporte esta frequência, o que se tratando de CRT mais recente, é praticamente impossível achar um.

      Já monitores LCD não são uma boa para ele, todos que testei não conseguiram lidar bem com a resolução 1:1 dele, sempre cortam partes superiores e inferiores da tela.

      O que eu mais gostei no X68000 são os jogos que também tem pra o MSX 2+, ele dá uma sensação de “MSX 3”.

  15. RODRIGO CESAR BANHARA

    Mauro, viajei na reportagem. Adorei. Parabéns pela reportagem e pelo micrão.

    1. Mauro Xavier

      Obrigado!

  16. Alfredo Fabian Gonzalez Henriquez

    Otima matéria Mauro, sempre estou de olho no seu site.
    Tenho um XVI Compact e acho q é uma maquina incrivel! Mas infelizmente por falta de espaço eu tenho que usar um LCD M1921A pra rodar meus Retrocomputadores. E é exatamente o que vc disse, nao tem como manter 1:1 na tela e corta pra todo lado infelizmente.
    Vc acha que aquela Scandoubler barata GBS8220 (eu tenho aqui) é possivel re-dimensionar essa tela de alguma maneira pra caber tudo sem problema? Abração!

    1. Mauro Xavier

      Eu tenho o GBS 8200, vou testar no X68000 e te aviso se ajuda… Mas ainda acho que com um CRT você poderá conseguir uma imagem melhor pois irá utilizar resoluções nativas, sem fazer escalonamento de pixels.

      1. Alfredo Fabian Gonzalez Henriquez

        Valeu! mas to sabendo q vc tá vendendo o bichão, uma pena, pois é minha maquina predileta depois dos meus Amiga logicamente. Abraço!

        1. Mauro Xavier

          Infelizmente já vendi, só estou esperando o acerto final para entregar.

          Mais pra frente, quando a situação melhorar, vou correr atrás de um novamente… (Se eu tiver sorte)

          Ahhh… Testei o GBS 8200 no X68000 e não acho que ficou legal, sinceramente a melhor configuração (e mais em conta) ainda é usar um monitor CRT padrão.

  17. Fernando Bersotti

    Muito bom. Continue nos brindando com essas pérolas retros!

  18. Claudio

    Caro Mauro, Sempre fui fanático por jogos de arcade. Fui usuário de MSX e Amiga, mas o x68k foi muito melhor em jogos de fliperama. Nunca tive a oportunidade de ter uma máquina dessas, mas por outro lado, na minha juventude, trabalhei como técnico de máquinas de arcade e tive a oportunidade de montar um arcade em casa. Trabalhava na manutenção das placas e muitas vezes tinha a oportunidade de levá-las emprestadas para casa para jogar. Era simplesmente maravilhoso. Juntava grana o ano inteiro para comprar algumas placas de jogos para ter a verdadeira sensação de ter um fliperama em casa!! chegava a juntar quase R$ 1000,00 em valores de hoje, só para ter um único jogo!! e é por isso estou escrevendo esse post. Jogos como Popeye, Ms Pac Man, Star Force, Wonder Boy, Street Fighter II, R Type etc.. Todos esses eu pude jogar em casa como um videogame. Meus amigos vizinhos e também fanáticos ficavam loucos, pois tinham que se contentar com Nes, e afins nessa época. Um grande abraço.
    Claudio

  19. Claudio

    O X68000, foi o melhor computador na questão dos jogos convertidos do arcade e isso é fato inquestionável. Mas o comentário do Marcelo Tini (Old! Gamer nº3) de que o computador é um arcade perfect, discordo em parte. Tenho experiência com arcades (fazia reparos nas placas originais e tive o privilégio de montar um arcade em casa para jogá-los nos anos 80) e posso citar a superioridade do arcade em várias conversões para o x68000. Na realidade, o computador reproduzia melhor os jogos antigos; como por exemplo, Star Force, Exciting Hour, Galaga 88 e mais alguns. Já quando o jogo do arcade exigia um hardware de peso, ao meu ver, o computador da Sharp, perdia um pouco. Alguns exemplos, eu posso citar: O R-Type (M-72 system) é um exemplo clássico. Faltam vários detalhes no jogo em relação ao arcade. No quesito som, a versão original dá uma surra no computador. Final Fight é outro exemplo; falta som no metrô e na arena, Flying Shark falta o efeito de destruição na hora em que você atira nos casebres. Nada que realmente interfira na qualidade, é verdade, mas arcade perfect quer dizer idêntico.

    1. Mauro Xavier

      Concordo e também percebi estas diferenças, mas preciso corrigir uma questão referente ao Final Fight. Tanto ele, quanto outros jogos da Capcom (Street Fighter 2 CE e outros), para dar mais canais de som e todo o SFX, precisa ter 4Mb de RAM e um X68000 de 16Mhz, então os efeitos aparecem. Forcei no emulador a troca manualmente do mixer (que é via sofware, pois o micro só tem um canal de som digital) e coloquei como 4Mb, e comprovei isso (pois meu x68000 tinha 2Mb de RAM apenas). Com o X68000 de 10 Mhz dá um pouco de slowdown, mas roda fazendo esta gambiarra.

      O R-Type percebi na hora que era um port, e não Arcade Perfect. Já o Star-Force e outros mais antigos, achei idêntico, realmente.

      E tem alguns títulos sofríveis dignos de nota, caso do View Point e Chase HQ, que achei ambos o cúmulo da mediocridade em relação ao que o hardware original é capaz de prover.

      No geral, como toda máquina, tem seus altos e baixos, mas não deixa de ser um hardware fantástico e com alto teor nostálgico, com títulos que em sua grande maioria, são de ótima qualidade.

  20. Claudio

    Sim é uma máquina incrível. Na época que tinha o MSX, não imaginava que existia um máquina como essa. Difícil imaginar um sistema caseiro capaz de reproduzir com maestria a perfeição dos arcades. Depois veio o Amiga, uma máquina fenomenal, porém, muito jogos não exploravam os verdadeiros recursos do hardware. Lembro quando ia comprar jogos de MSX em uma softhouse e via na parede papeis colados com desenhos dos jogos do X68000 e vários dizeres em japonês, mas não imaginava o que era aquilo. Só fui descobrir, anos depois. Garanto que se soubesse da sua existência antes, doaria um rim e iria até o japão buscá-lo !! rssss.

  21. Claudio

    …quis dizer: Venderia um rim e iria até o Japão buscá-lo !! rssss.

    1. Mauro Xavier

      Ahahaha…

  22. Nelson Antonio Gomes

    Muito bom Mauro, parabens !

    Uma observação, o X68030 ao contrário do que parece, não é uma máquina boa para jogos! É uma maquina problemática, e incopativel com bem mais da metade dos jogos para o sistema!
    Os unicos jogos até hoje que eu vi que precisa de mais de 10Mhz, para rodar legal é Principe da Percia e Super Street Fighter II, Só !
    Para quem quer um X68k perfeito, eu aconselho um XVI, este sim é o “rei” da plataforma !

    Abraço !

  23. Luiz Eduardo

    Mauro,

    Descobri o Rally-X do X68000 e atualizei a matéria sobre Rally-X e New Rally-X lá no RGR:
    http://retrogamesrevival.blogspot.com.br/2012/12/rally-x-new-rally-x-e-afins.html

    Linkei o esse seu fantástico review sobre X68000 lá.

    Abração

  24. Alexandre

    Olá!

    Vi no site abaixo que você estava anunciando este X68K no ano passado.

    Gostaria de saber você já vendeu (acho que já, né?!), pois teria interesse em comprá-lo.

    Obrigado!

    http://br.groups.yahoo.com/group/ClubedoTK/message/6869

    1. Mauro Xavier

      Vendi faz tempo, quem sabe quem comprou não queira revendê-lo? Este X68000 atualmente está com o Sander Souza.

  25. Rui Sousa

    o Sharp 68000 foi vendido só no japão, enquanto na europa se debatia qual era o melhor computador de jogos entre o Commodore Amiga e o Atari ST no japão surgia esta verdadeira “maquina ” de jogos que apesar de usar o mesmo processador dos 2 e mais tarde usado na Megadrive da Sega este Sharp era de facto uma maquina de jogos superior a concorrencia, pena que os japoneses o guardassem so pra eles…

  26. MSXManiac

    O Xevious no X68000 é uma vergonha! O do MSX 2 bate nele.
    Já o R-Type deixa a desejar, se levarmos em conta os outros títulos. Eu acho que a IREM só fazia jogos para arcade e ao tentar converter tentou fazer uma coisa mais genérica e não aproveitou os recursos da plataforma.
    O que eu mais gosto mesmo é do Galaga88.
    Se vc botar só o disco 1 no drive 0, ele vai ficar tocando a música indefinidamente. E o legal é que ela demora a se repetir.
    Prá mim é junto com Detana! TwinBee os mais legais.
    Eu me lembro de futricar na internet isso lá por 1999/2000. A grande maioria das informações estavam em japonês e o emulador da ora era o EX68, também todo em japonês. Aliás esta época foi uma febre prá mim. Era emulador do X68000, do PC-98, PC-88, PC6000, PC-Engine (console, além da inútil espera pelo emulador do Engine FX e seus discos, todos CD, com jogos como Policenauts da Konami) e do FM-Towns e por aí vai.
    Mas para o meu parco Pentium 200 MMX com Windows 98 não tinha como rodar isto decente.
    As imagens que talvez eu tenha salvo devem estar perdido entre centenas de cd’s e dvd’s.
    Me espantei em ir ver de novo e ver novos emuladores (que também já pararam de serem melhorados mas em inglês e mais robustos. E surpreso de ver um mero acer com um i3 bem chinelim, mas com 8 gigas rodar isso numa boa e usando a interface MIDI através do drver TimMIDIty ajustado prás configurações padrão GS e emulando um SC-55.
    Mas é como foi postado. O brilho está nos jogos, mas afora estes, é quase um deserto. Ao menos temos uma série de aplicativos MIDI e compiladores e um sistema operacional com GUI mas ficou por aí e perdeu espaço para os clones do PC da IBM turbinados pela plataforma Windows.

  27. MSXManiac

    Busy busy Mr. Mauro????

    Ou os nerds estão jogando sem parar a muito tempo escondidos em alguma base subterrânea????

    Wake up!!!

    1. Mauro Xavier

      Veeeery busy… Working like a horse 😉

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