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mar 21 2012

Avaliação: AppleJoy

Tá aí uma coisa que eu nunca havia parado para pensar a respeito da plataforma Apple II: Os joysticks. Pois é, até fiz uma adaptação para ligar os controles de PC antigos via GamePort, mas algo sempre me incomodou e eu não sabia dizer o que era.

Isso não é uma propaganda, mas posso afirmar que redescobri o mundo dos jogos em meu Apple //e através desta plaquinha simples e genial: A AppleJoy.

 

Onde, como e porquê?

Esta placa foi criada por Eduardo Luccas, responsável pela marca “LuccasCorp. Eletrônica“, reconhecida principalmente nas comunidades retrocomputacionais das plataformas TK90X e Apple II.

Quando ele anunciou esta placa, tive minhas dúvidas. Obviamente não eram dúvidas sobre seu funcionamento, mas a grande pergunta que me passava na cabeça era “pra quê usar joysticks de Atari no Apple II”?

É fato que os controles do Apple II são analógicos e seguem um padrão parecido ao que os PCs adotavam antigamente através da interface “GamePort”. Eu mesmo fiz um adaptador caseiro muito simples, e sendo sincero, não conseguia apreciar os jogos em meu querido Apple //e por muito tempo, pois achava os controles meio imprecisos, e muitas vezes cheguei até a pensar que isso era uma característica da máquina… Quanta ingenuidade.

Então já que o Eduardo fez o primeiro lote em grupo, o valor apresentado se demonstrou atraente e resolvi entrar nessa só por curiosidade. E que bela surpresa eu tive.

 

Primeiras impressões

Ao chegar a placa, ela estava bem embalada e a primeira vista ela é praticamente auto explicativa através das informações escritas nela própria, onde destaca-se o jumper para utilizar o joystick no padrão Atari / SEGA Master System (posição normal) e MSX, bem como os dois potenciômetros para regular os eixos na conversão digital / analógica (R1 e R2). O conector do cabo também tem em cada pino a finalidade descrita (GND, Eixo Y, Vcc, Botão 1, Eixo X, e o que sobra é o Botão 2)

A montagem está muito bem feita, ao qual foi efetuada manualmente pelo próprio Eduardo, incluindo a soldagem, esquema eletrônico e projeto. Apenas a realização da placa é que foi concebida por uma empresa terceirizada a fim de acelerar o processo, provendo também uma qualidade industrial ao projeto.

Na parte traseira da placa nota-se precisão na soldagem e boa construção. Eu já tinha ouvido falar da fama dos projetos do Eduardo, mas é a primeira vez que coloco as mãos em um, e sinceramente foi gratificante ver que a fama é merecida.

Ao encomendar a placa, me foi apresentado a opção em receber um cabo para ligar no conector DIP interno do micro, ou um cabo para conectar externamente na saída DB9 (útil para o Apple IIc e clones). No meu caso eu desejava efetuar a ligação internamente, então escolhi o cabo com conector DIP.

O cabo me passou uma boa impressão de resistência e o conector da ponta na verdade é um soquete torneado de qualidade, o que me isentou da preocupação de dobrar ou quebrar os pinos no momento do encaixe. Mais um ponto positivo ao produto.

 

Instalação

Como explicado antes, no meu caso requisitei o cabo para instalação interna, então poderei somente cobrir a questão deste método de utilização da placa.

Ao abrir meu Apple //e fiquei um pouco preocupado pois devido ao fato de vários slots estarem ocupados, será que a AppleJoy poderia esbarrar em alguma placa já conectada?

Removi as placas próximas e primeiro utilizei as roscas do conector DB9 da AppleJoy, ao qual ficou bem firme e com ótima aparência externa.

Observando internamente, percebe-se que a AppleJoy fica muito próxima da placa mas não o suficiente para causar um curto, ainda mais porque o conector do cabo é feito de material isolante e seria a primeira parte a encostar, eliminando de vez qualquer chance de problemas.

E mesmo que eu conectasse uma placa no primeiro slot, ela ainda não encostaria. O importante é que a AppleJoy ficou bem firme em todos os sentidos, mas se o usuário tiver algum receio com relação a este tipo de ligação e também possui muitas placas internas conectadas, não vejo problemas em isolar a parte de baixo da AppleJoy para uma maior tranquilidade, porém, eu não precisei recorrer a isso.

Nota-se que a AppleJoy se torna discreta dentro do gabinete. O cabo tem um tamanho suficiente para dar plena liberdade ao usuário em ligar a placa onde desejar, independente do modelo do Apple II a ser utilizado.

Observação: Na foto acima o cabo preto presente é de minha modificação para sair o som do Speaker usando um cabo RCA, que neste teste estava ligado a um televisor.

 

Testando alguns controles

Tenho alguns controles que usam o conector DB9, e sem pensar duas vezes testei todos para descrever brevemente sobre a performance de cada um deles em relação a AppleJoy e aos jogos testados.

Mais clássico, impossível. Ao utilizar o controle original do Atari 2600, testei os jogos também presentes neste console, e foi onde este controle se demonstrou brilhante.

Em títulos como Hero, Moon Patrol e Pitfall 2 foi possível aproximar a jogabilidade em relação ao Atari 2600, porém, em títulos que exigem 2 botões pode ser cansativo pressionar o teclado para acionar outra função, isso se esta opção estiver disponível no jogo ou se o micro utilizado tiver a tecla correspondente ao botão 2 do controle.

 

A Wico é conhecida por desenvolver joysticks de alta qualidade, porém, neste modelo Wico Boss, houve uma regressão grande do conceito.

A alavanca é muito macia e o botão responde bem, mas apesar deste conforto é necessário aplicar muita força para que a resposta aconteça como o esperado, o que torna a experiência muito cansativa. Independente do sistema, não posso recomendar este controle para jogos que exijam movimentos rápidos.

 

Quando comprei este GamePad TPC-4 da Dynacom, tive que abri-lo para efetuar alguns ajustes no direcional que se demonstrava duro demais e impreciso, mas depois destes ajustes ele ficou ótimo. Este modelo tem um interruptor traseiro para compatibilizá-lo com o padrão Atari (1 botão) ou Master System (2 botões). Ele também possui duas velocidades de turbo e botão extra equivalente ao pressionamento simultâneo dos botões A e B.

Infelizmente assim que eu o liguei na AppleJoy o teclado do Apple //e deixou de responder, isto é, algum botão se mantinha pressionado, o que equivale a pressionar uma das teclas “maça” do Apple. Executei um pequeno software para ver o que estava acontecendo e percebi que apesar do direcional responder corretamente, os botões tinham um comportamento irregular, mesmo mudando entre o modo Atari e Master System no controle. Tentei também alterar o jumper na placa AppleJoy mas isso não resolveu o problema.

Ao ligar o TPC-4 em um sistema compatível, a luz vermelha do controle acende e começa a piscar se for utilizado o turbo (auto fire), mas a luz sequer acendia ao conectá-lo na AppleJoy, o que pode significar que este controle deve usar energia extra ou algum pino a mais para manter seu funcionamento.

Apesar de não ter funcionado, isso não desmerece a qualidade da AppleJoy, pois na verdade ela está lidando com um gamepad que não deve obedecer à risca o padrão Atari / SEGA.

 

Nunca gostei de controles tipo arcade para ser usado em casa, eu apreciava as alavancas com switches somente nos bons e velhos “fliperamas”, porém, este joystick QuickShot Maverick 1 mudou meu conceito.

Este controle é muito preciso e possui recursos bem interessantes para quem utiliza consoles e micros antigos. Ele possui uma chave com quatro posições que mudam seu modo de funcionamento para os seguintes padrões:

  • A – Atari / Commodore
  • B – MSX
  • C – Amstrad (CPC, não é SJS1)
  • D – SEGA

E ainda de sobra ele tem DOIS CABOS com saída DB9, onde você pode alterar no próprio controle qual cabo será utilizado (Player 1 ou 2). Isso para mim foi excelente, pois liguei um cabo em minha AppleJoy e outro no Atari 65XE, então basta mover o interruptor para usar o controle na máquina desejada.

Depois desta apresentação mais longa, você deve estar se perguntando “tá bom, mas e daí? Como é a performance deste controle na AppleJoy?”… E eu te respondo: É PERFEITO!

Usar o QuickShot Maverick 1 na AppleJoy transmite toda a sensação de um arcade em casa. Você tem uma alavanca precisa com excelente resposta, os dois botões são ótimos e as borrachas de sucção do controle o mantém firme se quiser dar aquela sensação de “gabinete de fliperama”.

Joguei títulos como Thexder, Hero, Mario Bros, Montezuma’s Revenge, Ms Pac-Man, Force Seven, Gauntlet, Renegade, Conan, Boulder Dash e principalmente, o fantástico Black Magic, e posso afirmar com todas as letras que é como se você estivesse jogando em outra máquina. É outro mundo em relação aos joysticks analógicos que eu estava acostumado.

 

Então a AppleJoy é perfeita?

Posso dizer que chegou no máximo da perfeição relacionada ao custo / benefício, onde obviamente não é possível esperar que ela seja compatível com joysticks “esdrúxulos” como o TPC-4 da Dynacom, bem como outros modelos estranhos que possam aparecer por aí.

Também é válido ressaltar que jogos que utilizam especificamente o padrão analógico dos joysticks do Apple II, sejam manches ou paddles, poderão não funcionar como o esperado, resultando em movimentos rápidos demais, ou poderão tornar o jogo totalmente inutilizável, caso do Arkanoid.

O Eduardo me enviou um manual contendo algumas explicações, entre elas um pequeno programa para conferência do funcionamento da placa e regulagem da mesma, e aviso: CONSIDERE ESTA REGULAGEM INDISPENSÁVEL na primeira utilização.

Aqui tudo funcionou perfeitamente somente após a calibragem dos números corretos conforme o manual e programa recomendado, caso contrário não culpe a AppleJoy se em alguns jogos o personagem começar a se mover ou pular sozinho.

 

Conclusão

Se você tem um Apple II ou um clone qualquer, saiba que esta pequena placa pode mudar seu conceito sobre como se divertir nesta plataforma.

Afirmo com convicção que apesar da simplicidade do projeto, ele é BRILHANTE. Se alguém quiser maiores detalhes em como adquirir uma placa destas, entre em contato diretamente com o fabricante.

Finalizo este post dizendo sem puxa saquismo algum: valeu cada centavo.

5 comentários

1 menção

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  1. Antonio Sanches Parra

    Mauro, belíssima publicação. Cada vez mais a “Casa dos Nerds” vai se tornando a casa da retro-computação.

    Isso me animou a montar e tentar arrumar o meu Apple que esta parado há muito tempo.

    O espírito é esse mesmo meu amigo.

    Nosso amigo Ricardo Jurczyk Pinheiro da MSXBR-L, esta juntando esforços para realizar um encontro retro para todas plataformas (amiga, apple, tk, msx, commodore 64 etc…) o encontro vai ser no Rio de Janeiro se interessar entre em contato seu e-mail: (ricardojpinheiro@gmail.com)

    Abraços.

    1. Mauro Xavier

      Antonio, obrigado pelo comentário.

      Quanto ao encontro de retrocomputação, tenho alguns motivos particulares para não ir, além de que viajar agora até o RJ ficaria complicado.

      Abraços!

      1. Ricardo Jurczyk Pinheiro

        Ei, seria eu o culpado de vc n querer vir? Eu sou um cara legal, tio, nem brigo c/ ninguém… =)

        Vir ao Rio é uma questão + complicada, financeiramente falando. Mas peço-te q divulgues na Casa dos Nerds. E parabéns pelo site, eu gosto de visitá-lo de vez em qdo p/ ler as novidades.

        1. Mauro Xavier

          De forma nenhuma, meu amigo, não tenho nada contra você, pelo contrário, te acho muito gente boa ;)

          Mas meus motivos pessoais são fortes o suficiente para não desejar ir, nem apenas pela questão apenas dos valores envolvidos.

          Abraços.

  2. Claudio H. Picolo

    Às vezes penso que existem duas plataformas “eternas”: O Atari 2600 e o Apple II, dada a paixão com a qual os aficcionados se dedicam a elas.
    Ambas são legendárias e verdadeiros ícones pop dos anos 80.
    E essa plaquinha parece ter unido ambas as plataformas.
    Parabéns ao Eduardo Luccas por mais essa tacada genial!

  1. Retrocomputação de ler, rodar, resenhar e ver | Retrocomputaria Plus

    [...] Mauro Xavier resenha o AppleJoy – uma ideia engenhosa do Eduardo Luccas, para plugar joysticks de Atari no Apple [...]

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