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maio 02 2013

Sharp MZ-700: Letras coloridas que se transformam em jogos

Sempre fui uma pessoa curiosa para ver até onde os programadores são capazes de chegar ao desenvolver em uma plataforma limitada, tanto que para mim a magia de micros como o Apple II giram em torno deste contexto.

Fazendo algumas pesquisas sobre plataformas que exigiram mais da criatividade dos programadores, me deparei com esta máquina interessante e chamativa: o Sharp MZ-700.

 

Histórico

A linha de microcomputadores MZ da Sharp iniciaram por volta de 1978, através de um kit composto de um simples teclado hexadecimal e um CPU de 4 bits. No ano seguinte foi introduzido o Sharp MZ-80K, oferecido tanto em forma de kit para ser montado pelo usuário (mais barato) ou montado por terceiros (mais caro), mas desta vez a máquina era equipada com um CPU Z80 de 8 bits, na forma de “all in one”, com teclado, monitor e tape cassete em uma mesma unidade.

mz80k

Este micro foi um dos primeiros micros populares a nível de consumidor, contando com até 48Kb de RAM, podendo utilizar linguagens como Basic, Pascal e Fortran, que deveriam ser carregados pelo tape. Ele podia ser programado também diretamente em assembly ou código de máquina ao ligar.

O MZ-80K apresentava imagens primitivas com apenas alguns caracteres fixos e sem qualquer resolução gráfica, o que era comum para os computadores do fim da década de 70. O maior empecilho era o desconforto de seu teclado que não utilizava o formato padrão, lembrando os teclados de caixa de supermercado.

Apesar destas peculiaridades, ele vendeu bem na Europa mesmo com seu alto preço (£500 em 1980), devido a sua boa galeria de softwares disponíveis, incluindo alguns jogos arcade japoneses.

Após algumas versões intermediárias, o micro que se destacou desta série foi o MZ-80A (Europa) ou MZ-1200 (Japão), lançado em 1982, contando com um teclado confortável e padrão, além de 80Kb de RAM e VRAM extra:

Sharp_MZ80A_Running_s1

Houveram também a linha voltada para o mercado corporativo, caso do MZ-80B (1981), que já contava com gráficos em 320×200 pixels, até a linha do Super MZ-2500 (1985), contando com chip FM, dois CPUs Z80, alta resolução e até 4096 cores.

E enfim, onde se encaixa o Sharp MZ-700 no meio de tantos modelos? Na verdade ele entrou tecnicamente para substituir os MZ-80A e MZ-80K, no final de 1982 no Japão e em 1983 no Reino Unido, voltados para consumidor padrão e aficionados. Ele foi o primeiro microcomputador doméstico da Sharp a apresentar cores, mas ao contrário de seus “irmãos mais velhos”, não possuía monitor integrado.

mz-700-1a

Algumas características que o impediram de ser levado a sério por empresas, era que apesar de sua capacidade suficiente de processamento usando o mesmo CPU Z80 da linha, para a época sua resolução de 40 colunas já era considerada defasada. A interface de impressora também só permitia a conexão de impressoras da Sharp, como o plotter e impressora matricial, além de que para utilizar disquetes era necessário um módulo de hardware extra.

Haviam as interfaces de Quick Disk, mais baratos que os disquetes na época e mais rápidos que as fitas K7, mas com baixa capacidade, apenas 64Kb de cada lado e leitura sequencial semelhante ao tape.

A máquina foi criticada por sua baixa resolução na revista PCW Magazine em fevereiro de 1984, mas foi elogiada em relação as linguagens de programação disponíveis, finalizando o texto dizendo que o MZ-700 “merecia ser levado em conta”. O problema é que este artigo foi como uma bomba para a plataforma, esquecendo de mencionar a possibilidade de expansões e utilização de disquetes, o que repercutiu de forma negativa e acabou obrigado as lojas a diminuir o preço dos micros para encerrar o estoque.

No mercado estavam disponíveis três modelos: o MZ-711, que vinha somente o micro; o MZ-721 que já vinha com o tape embutido e o MZ-731 que também acompanhava o plotter de 4 cores (preto, azul, vermelho e verde). Por sinal se alguém tiver curiosidade de ver o plotter funcionando, acesse este vídeo.

Em meados de 1990, entusiastas conseguiram criar uma forma de atingir 80 colunas com algumas modificações no hardware e adição de uma pequena placa a um preço bem acessível, e que se somado a presença de um drive de disquetes, tornou possível a utilização do sistema CP/M graças a patches criados pela comunidade, que portaram o CP/M do MZ-80A (para usar em 40 colunas) e P-CP/M do MZ-800 (para usar em 80 colunas). Obviamente para o mercado era tarde demais, mas para os fãs da plataforma foi um prato cheio.

cpm700

 

Especificações

Apesar dos limites gráficos, no restante a máquina estava dentro dos padrões da época:

  • CPU: Sharp LH-0080 (compatível com Z80) a 3,5 Mhz
  • ROM – 4Kb para o software monitor, e 2Kb para o gerador de caracteres
  • 64Kb de RAM
  • 2Kb de VRAM
  • Teclado padrão ASCII com teclas de cursor e funções
  • Imagem:
    • Caracteres em 40×25
    • Modo pseudo-gráfico de 80×50 pixels (8 cores)
    • Saída RF, RCA e RGBI
  • Portas:
    • Expansão genérica
    • Dois conectores de joystick (padrão proprietário)
    • Saída paralela para impressora (proprietária Sharp)
    • Interface de entrada e saída para gravador externo
  • Armazenamento:
    • Gravador cassete embutido ou externo a 1200 bps
    • Até 4 drives de disquetes de 5.25″ ou 3.5″ (280/320 Kb)
    • Quick Disk (128 Kb)
  • Amplificador interno de 500mW
  • Som de um canal, onda quadrada (estilo PC-Speaker)
  • Peso até 4.6Kg (MZ-731)

 

Quase todos os micros da série MZ (entre outros da Sharp) possuíam o conceito chamado “Clean Computer“, onde para iniciar uma linguagem de programação era necessário carregá-la da fita magnética ou outro dispositivo, e dependendo do caso isso poderia levar alguns minutos (salve o turbo loading!). Na ROM estava armazenado somente o software monitor.

Conexões e botões também não eram problema, aproveitando bem o espaço traseiro do micro:

sharp_mz700_rear

 

De onde surgiu a vontade de comprar um?

Eu já estava cobiçando esta máquina há tempos mas é fato também que a grana estava curtíssima e nunca encontrei o micro com um valor que fosse acessível. Foi quando o pessoal do grupo Retrocomputaria Plus no Facebook mencionou a presença de um anúncio no Mercado Livre, então o amigo Sander Souza também se demonstrou bem interessado e reconheceu as qualidades e peculiaridades do hardware.

Pouco tempo depois vi no eBay da Alemanha algumas máquinas, e entrando em contato com alguns vendedores surpreendentemente acabei conhecendo o Karl Heinz Mau, mantenedor do site www.sharpmz.org, considerado uma referência das máquinas Sharp MZ há mais de 10 anos. Segundo uma conversa que tivemos, ele está se desfazendo de boa parte de sua coleção e provavelmente não irá mais tocar o site adiante, então ele gostaria de dar um lar adequado para seus “tesouros”.

No fim das contas peguei duas máquinas para ganhar um desconto, sendo um Sharp MZ-731 e um MZ-821 (que fica para outro artigo). O MZ-821 foi para mim e o MZ-731 para o Sander. Posso dizer que paguei bem mais barato do que qualquer outro anúncio que eu já tenha visto no eBay, e apesar do peso do frete, mesmo no aperto, valeram as horas extras para pagar pela máquina.

 

Estética e beleza, por dentro e por fora

Tenho que dizer, até agora de todos os micros que coloquei as mãos, o Sharp MZ-700 está entre um dos mais bonitos e robustos. Com seus mais de 4Kg, você percebe a resistência e capricho na concepção do hardware.

Achei o teclado um pouco rígido, mas ao desmontar percebi que ele é bem resistente e não utiliza membranas, e o flat que liga o teclado na placa não utiliza tinta condutiva, e sim chapas de metal flexível.

Para desmontar eu já esperava que fosse uma novela (depois do trauma do Sharp X68000), mas pelo contrário, são poucos parafusos. Os encaixes são perfeitos e tudo é de fácil acesso:

Observe a lateral direita da placa, lamentei ao ver um único circuito integrado customizado, isto é, se ele morrer, o micro inteiro vai pro espaço…

Mas conversando com alguns usuários, o índice de falha no hardware do MZ-700 é baixíssimo, e por sorte tanto este quanto o meu MZ-821 já estão com os capacitores trocados.

 

Carregando os jogos

Fiquei um bom tempo batendo cabeça para carregar os jogos do PC direto para o MZ-700. Eu ligava o micro, pressionava a letra L e dava enter, e ficava a frase pedindo “Play”. Então pressionava o play no tape e o micro percebia esta operação, mas nada de carregar os jogos.

Analisando alguns documentos e fóruns, que diga-se de passagem para certos procedimentos as informações são bem escassas e redundantes sobre esta máquina, vi um usuário que fez um procedimento para o MZ-800, e o mesmo servia ao MZ-700. Primeiramente removi o tape, bastando tirar dois parafusos:

Depois fiz dois jumpers para não soldar nada e não tirar a originalidade do micro:

Liguei estes jumpers no conector interno entre o cassete e a placa mãe, redirecionando as portas para o conector externo e deixando o sensor do play aterrado. A foto abaixo é de meu MZ-821, mas o conector é idêntico:

Então tive que manter o tape interno desligado para evitar interferências, em compensação agora além de carregar os jogos, o micro aceitou carregamento em modo TURBO, fazendo com que alguns jogos que poderiam levar até 5 minutos para carregar, fossem executados entre 15 a 50 segundos.

 

Jogos?

Primeiramente preciso dizer que nem tudo é alegria, descobri da pior forma que existem jogos europeus e japoneses, e há diferença no tratamento deles, isto é, as ROMs nas versões européia e japonesa do MZ-700 são diferentes, com mudanças drásticas em vários caracteres. Não quer dizer que o jogo não rode, mas obviamente a imagem e concepção dos desenhos ficará comprometida. Uma solução para isso é gravar uma EPROM com ambas as informações concatenadas e fazer uma chave para comutar entre elas, assim você terá o melhor dos dois mundos em um único micro. Este processo é semelhante a modificação que fazem na plataforma Amiga para alternar entre a versão da ROM do Kickstart.

Apesar da limitação do hardware do Sharp MZ-700 impor caracteres fixos sem resolução gráfica alguma e utilizar som de apenas um canal (que se irritar basta baixar o volume), isso forçou os programadores a ultrapassar o limite da imaginação, alguns nos fazendo pensar de onde vieram certas ideias para conceber os personagens.

Os jogos mais simples são os desenvolvidos na época em que o MZ-700 era comercializado, mas isso não isenta vários títulos de possuir boa jogabilidade, caso por exemplo do Building Hopper:

Outro bom exemplo é o Bomberman, que possui efeitos sonoros e jogabilidade semelhante a primeira versão lançada para vários microcomputadores 8 bits:

E o que dizer da ação progressiva do jogo Nibbler, que aos poucos pode deixar qualquer um louco:

Para melhorar um pouco os jogos, foi lançado uma placa chamada PCG700, desenvolvida pela HAL Laboratory, adicionando a capacidade do MZ-700 em redefinir caracteres. Era possível até mesmo desenvolver imagens bitmapped com a PCG700, mas eram necessárias diversas alterações no micro, o que dificultava a penetração deste recurso no mercado comum.

Abaixo vemos um exemplo do jogo Mappy sem e com PCG (Programmable Character Generator):

mappy_comum mappy_pcg

Apesar de melhorar o gráfico dos jogos, não haviam melhorias na jogabilidade ou som, além de que foram poucos os títulos que usaram os recursos da placa. Creio que era mais viável adquirir uma interface de discos ou outros dispositivos ao invés de investir na PCG700.

Para mostrar que é possível ter diversão vendo textos correndo na tela, observe a versão do Mappy sem utilizar PCG:

 

A genialidade de Kazuhiro Furuhata

Em cada plataforma, sempre tem alguma empresa que se destaca, e no caso do MZ-700, posso afirmar com convicção que o destaque vai para um único programador, seu nome é Kazuhiro Furuhata, que entre os anos de 1987 a 1989 fez títulos de excelente qualidade para o Sharp MZ-700, quebrando a barreira da simplicidade gráfica de forma fantástica, extrapolando os limites do hardware a ponto de prover scroll parallax, animação suave e bons efeitos sonoros, mantendo ainda uma excelente jogabilidade e resposta de comandos.

Vejamos agora alguns destes jogos:

Space Harrier: Grande clássico da SEGA, surpreendentemente portado para o MZ-700. Kazuhiro não economizou, desenvolveu o jogo inteiro com todas as fases e inimigos, e não se importou em criar este mundo em um ambiente severamente pixelado com apenas 40×25 caracteres na tela. A jogabilidade é excelente, mas a baixa resolução pode comprometer a visualização de algumas cenas, em todo caso, não deixa de ser um ótimo título para a plataforma. Abaixo você confere dois vídeos, mostrando um Sharp X1 em modo MZ-700 rodando o jogo, e outra é um vídeo gravado pelo próprio Kazuhiro, provavelmente vindo de uma fita VHS, ao qual estava sem som pois o micro não possui saída de áudio, e para não tornar a experiência monótona tomei a liberdade de fazer o upload e adicionar uma trilha remixada do tema do Space Harrier.

Space Bluster FZ: É um jogo que remete o estilo do Fantasy Zone, e ainda recebeu quatro versões diferentes, marcados com as letras finais FZ, SG, FX e GX. Sem dúvida é um titulo para quem gosta de Fantasy Zone, o que não é exatamente meu caso.

Metro Cross:  É um port de um jogo da NAMCO para arcades, e como é de praxe Kazuhiro não simplificou as fases e foi capaz de proporcionar o melhor dentro das limitações do hardware. O vídeo está sem som, mas o jogo possui efeitos sonoros.

Tiny Xevious: Mais um port de um jogo da NAMCO, mas desta vez, quando Kazuhiro percebeu que não seria possível dar todas as características do jogo original, ele adicionou a palavra “Tiny” (minúsculo) para expressar esta concepção. Em todo caso, até mesmo a música consegue remeter ao arcade da melhor forma possível.

Eugea: Jogo de ação que mistura um pouco de Wonderboy / Monster World e Rastan. Além da excelente concepção de inimigos, animação e gráficos, o jogo possui diversos caminhos diferentes, o que garante um bom replay value para o título. No vídeo a seguir, também gravado na época pelo próprio Kazuhiro, adicionei uma música eletrônica sugerida pelo Youtube pois o vídeo original não tem áudio.

Side Roll F: É um jogo de naves com ótimas animações, efeitos sonoros que não agridem os ouvidos e bons gráficos. Ao meu ver, é o melhor título da plataforma MZ-700, sendo comparável ao Eugea. O vídeo abaixo também é do próprio desenvolvedor, ao qual inclui uma música remixada do tema do R-Type para C64.

 

Mas e atualmente?

Se eu disser que existem novos títulos saindo sempre e a comunidade é ativa, estarei mentindo. Pelo contrário, esta plataforma está rodeada de saudosistas, mas que estão praticamente escondidos aos quatro cantos do mundo. Pesquisando durante dias a fio notei que apesar de encontrar boas documentações sobre o MZ-700, tudo está concentrado em poucos sites ou encontrados de forma redundante.

Em todo caso, entre 2011 a 2012 surgiram duas coisas curiosas, que não são jogos e foram feitas pelo grupo Fiture Crew. Um deles é o famoso Nyan Cat:

E o outro é um demoscene chamado See Sharp“, que curiosamente tem seu código aberto em assembly para quem possa interessar:

Existem também alguns projetos que rolam por aí para o MZ-700, alguns mais recentes, outros nem tanto:

 

Conclusão

Se você quer se livrar do preconceito de que para ter um jogo legal é preciso ter gráficos, creio que o Sharp MZ-700 pode lhe ensinar mais sobre isso.

Outro ponto positivo é sua inegável beleza. Ter este micro sob a mesa chama a atenção até mesmo daqueles que não se interessam por tecnologia retrô.

A experiência de usar um microcomputador “alienígena” destes, com suas expressivas limitações, me fez pensar realmente sobre o que são os limites de um hardware antigo e o que torna um jogo bom ou ruim. O que posso dizer é que agora tenho certeza de que o grande limite está no homem, e até onde ele está disposto a chegar.

Sem desmerecer a todos os entusiastas e programadores de retrocomputação, mas se tivéssemos mais “Kazuhiros” por aí, sem dúvida nossos amados micros iriam nos surpreender cada vez mais, todos os dias.

 

20 comentários

1 menção

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  1. Daniel Campos

    Primeiramente, parabéns Mauro, por este mais que completo review!

    Como já falei em outros círculos, nota-se neste modelo o costumeiro capricho japonês na construção de micros. Linda placa interna, e posso dizer com segurança que o mundo vai acabar e esse customizado continuará funcionando. Como comparação, *nunca* vi um custom de MSX queimar.
    Pena ter saído em uma época de transição, em que o público caseiro já estava procurando máquinas com capacidades gráficas melhores. Talvez isso tenha influenciado a ser uma máquina tão pouco conhecida no ocidente.

    1. Mauro Xavier

      Não sei, acho que a divisão de computadores da Sharp pisava na bola no marketing ou estratégia, porque a série MZ-800 (que ficará para o próximo artigo), tinha gráficos bem superiores (320x200x16 em bitmap sem restrições, scroll via hardware e 80 colunas), e não lançou NADA, praticamente nenhum jogo nativo… O que saiu nativo foi através das mãos de programadores tchecos. Em contrapartida, o MZ-700 com seu hardware inferior, tem vários jogos nativos e ariscam até ports de jogos arcade, mesmo que simples.

      Já a série Sharp X1, feita pela divisão de televisores da Sharp (WTF?!), teve uma ótima aceitação no mercado japonês e uma vasta galeria de ótimos títulos. Até mesmo o Sharp MZ-2500, que era um canhão com dual Z80, ainda perdia feio para o Sharp X1 a nível de softwares de qualidade.

      A verdade é que o micro pode ter hardware, se não tiver suporte de boas softhouses, fica a ver navios mesmo.

      E obrigado pelo comentário sobre o CI custom, isso me deixou mais aliviado 😉

    2. Cauã

      Engraçado que isso acontece hoje em dia com os smartphones.
      Todas as empresas fabricando celulares com Android e a Apple o iPhone com iOS.
      E todos os jogos e aplicativos de ponta são geralmente lançados antes ou exclusivamente pra iOS.

  2. Daniel Campos

    O problema todo é que nessa mesma época a Sharp, no Japão, competia *sozinha* contra *todas* as outras fabricantes de eletrônicos (Sony, Sanyo, Panasonic, JVC, Yashica, Canon, Fujitsu, etc.) e que faziam parte do consórcio do MSX.
    Aí não precisa ser matemático para descobrir aonde uma Konami da vida vai apostar suas fichas. Entre fazer um jogo para o MSX que tem dezenas de modelos diferentes inundando o mercado ou apostar no micro de um fabricante apenas…

    1. Mauro Xavier

      Entendo isso, mas é engraçado que o Sharp X1, que teve sua vida útil de 1982 até 88, fez sucesso recebendo alguns ports muito bons e jogos exclusivos também.

  3. Emiliano

    Olá Mauro,

    Obrigado por mais um artigo excelente.

    O MZ-700 realmente surpreendeu.

    É uma bela máquina, e como Daniel mencionou, muito bem feita internamente, o que demonstra a qualidade empenhada pela Sharp neste modelo “doméstico”.

    Um outro aspecto que você não mencionou, mas vejo que a máquina está muito bem conservada e limpa, mesmo internamente.

    Salvo por algumas manchas sobre a caixa metálica do transformador, este Sharp está impecável nas fotos.

    Você teve muita sorte em adquirí-lo deste colecionador da Alemanha que o conservou com muito zelo.

    Algo assim confere outro valor ao equipamento.

    Além da evidente questão estética, é indiscutível a capacidade subestimada desta máquina.

    Imagino que o caminho apontado por Kazuhiro Furuhata não foi sequer cogitado pelos criadores do MZ-700. A diferença dos jogos criados pelo japa fudeba frente aos antecessores são muito marcantes.

    E pelo que entendi, Furuhata usou o hardware original, sem placa de expansão!

    Um trabalho impressionante de limites superados que vale como inspiração para as demais plataformas clássicas.

    Parabéns pela aquisição e pelo post!

    Aguardo seu review do MZ-821.

    Abraços,

    e1000

    1. Mauro Xavier

      Exatamente, foi utilizado o hardware original nos jogos do Kazuhiro, o que confere a ele ainda mais genialidade.

      Existem alguns jogos da primeira leva que são muito bons também, mas é que nem todos me vieram a cabeça na hora de escrever por causa do nome (em japonês somente), não chegam a ser iguais ao do Kazuhiro, mas chegam perto.

      A máquina está impecável mesmo, só a tecla F1 está escurecida e há algumas manchas internas em partes metálicas. Externamente meu MZ-821 está bem menos convidativo, com alguns sinais de “hepatite retrô”. Sorte do Sander Souza 😉

  4. Marcus Garrett

    Fantástico artigo, super completo. Adorei! Confesso que desconhecia!

    1. Mauro Xavier

      Olha, pra você desconhecer um micro, então ele é alienígena mesmo!

  5. Ricardo Bittencourt

    Haha, quando você desliga os gráficos do mappy, ao invés do desenho da televisão aparece escrito em katakana “terebi”, e no lugar do cassete player aparece “kasetto”.

    1. Mauro Xavier

      E aí, primo 😉

      Obrigado pela tradução! Eu olhava o vídeo do Mappy sem PCG e não tinha a mínima ideia do que era aquilo, agora chegou a ficar até engraçado imaginar o esquema que usaram.

      Abraços!

  6. V8

    Sempre fui fã do MZ80B. Eu vi alguma coisa sobre estes micros em alguma revista importada ainda nos anos 80 e sempre admirei o 80B por paracer um CP500 de luxo, hehe. Pena que os custos de frete são absurdamente altos, senão eu já teria matado minha vontade.

    Parabéns pela máquina.

    :)

    1. Mauro Xavier

      São micros bonitos mesmo, ainda mais o MZ-80B que tem um tape controlado via software, com direito a ejetor mecânico e tudo.

      É sempre assim, quando são encontrados em bom estado, o valor do leilão costuma terminar alto, ou quando está em um valor legal em “buy now”, ou o vendedor não manda pro Brasil, ou o frete é um absurdo… Fora os riscos de quebrar o monitor até chegar aqui.

  7. Luis Garcia

    Parabens Mauro, excelente reportagem …

  8. Fernando

    Que bom que teve post novo…Achei que tinha abandonado o site…

    1. Mauro Xavier

      Imagine que para criar um post deste, chego a levar um dia inteiro, pesquisando, revisando o texto inúmeras vezes e tudo mais… E mesmo assim ainda acabo efetuando alterações no texto mesmo depois de publicado, corrigindo informações e melhorando a verbalização.

      Nestes últimos três meses minha vida particular estava muito atribulada em todos os sentidos, então ficava difícil parar na frente do micro para dar atenção ao site, que trato como um hobby, além de que, gosto de postar coisas referentes principalmente a experiências reais com os micros, então para isso eu precisava ter algo em mãos, que foi o caso desta família de Sharp MZ.

      Fique antenado que mais posts virão em breve.

      Abraços.

  9. Ronivon

    Boas,
    Muito boa apresentação do sistema.
    Esse micro tem personalidade, mas falta software.
    Eu tenho um, que recebi com a fonte defeituosa. Tive que abrir e temporariamente substituír internamente por uma genérica.
    Ja comprei uns componentes para o reparo, mas ainda não sei se a fonte original vai voltar a funcionar. Falta agora tempo para soldar.
    Abraço e continue publicando sobre retros.

    1. Mauro Xavier

      Olá!

      Puxa, você achou que não tem muito software? Achei vários aplicativos e jogos.

      Tem como rodar o CP/M nele, mas precisa fazer uma pequena adaptação, que é simples, para se obter 80 colunas.

      Se quiser dar uma olhada na galeria de softwares dele, acesse estes links:

      Jogos
      http://www.scav.cz/download/MZ-800/MZ-800_Software/COM/MZF/GAMES/700

      Programas
      http://www.scav.cz/download/MZ-800/MZ-800_Software/COM/MZF/PROGS/700

      Linguagens
      http://www.sharpmz.org/mz-700/dldos.htm
      http://www.sharpmz.org/mz-700/dldlang.htm

      Ele não suporta um turbo loading tão rápido pelo software mzf2snd, mas já dá para deixar pelo menos 4 vezes mais rápido. Você tem que colocar a opção -l0 para ele não usar loader, já que este loader carrega o endereçamento somente para o MZ-800. Aqui está o software: http://sourceforge.net/projects/mzftools/files

      Tem outro que é legal para turbo loading também, mas às vezes não converte um jogo grande: http://www.sharpmz.org/mzf2wav.htm

  10. nitrofurano

    espero não ter chegado muito tarde à conversa – só recentemente consegui fazer qualquer coisa para o mz700 pelo zxbasic compiler: http://www.boriel.com/wiki/en/index.php/ZX_BASIC:Released_Programs_-_MZ700

    1. Mauro Xavier

      Para retrocomputação, o tempo é irrelevante, não existe cedo ou tarde 😉

      Seja bem vindo!

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