Commodore Amiga acelerado: O retrô com sabor moderno

O Commodore Amiga é uma das plataformas que mais me chamou a atenção desde que me entendo por gente. Em minha infância pude acompanhar a presença de vários micros e gostei de todos eles, cada um a seu jeito, mas quando fiquei frente a frente com um Amiga pela primeira vez foi uma sensação incrível.

Agora posso dizer que a experiência continua em um outro nível, quando finalmente consegui colocar as mãos em um Amiga 1200 com aceleradora, e apesar de ser uma expansão distante dos modelos top de linha, a experiência ainda foi surpreendente.

Aproveitando a oportunidade, considerei que seria interessante introduzir alguns detalhes sobre a plataforma a fim de que os usuários que não conhecem o Amiga, pudessem entender um pouco mais sobre este hardware fascinante. E aviso, este post é imenso!

 

Amiga e retrocomputação: A lenda do guerreiro

Não vou ficar me apegando a detalhes históricos e técnicos minuciosos, caso contrário este post se tornaria um livro (e mesmo assim ficou imenso!). Vou direto aos fatos e explicações relativamente superficiais.

A plataforma Amiga nasceu em uma época que a multimídia estava engatinhando, e a multitarefa em micros caseiros não estava em um patamar tão maduro. Quando foi lançada a primeira máquina da plataforma em 1985, e por um bom tempo após, tudo o que se referia ao Amiga era sinônimo de tecnologia, gráficos poderosos e som de primeira.

O Amiga marcou presença na criação de mixagens musicais de qualidade e facilitou muito a vida de DJs no desenvolvimento de músicas sampleadas, além disso ele foi a máquina preferida de muitas empresas ao usar ilhas de edição linear, sendo usado até mesmo em programas e canais de TV:

Sem dúvida o Amiga foi capaz de levar a multimídia e multitarefa aos usuários domésticos com maestria, e ao meu ver, foi uma das únicas máquinas capazes de ameaçar o trono dos PCs e Macs, mas as decisões internas da Commodore em insistir no reaproveitamento de certos padrões de hardware e a demora na implementação de novos recursos culminou na obsolência frente ao avanço das outras plataformas.

Como toda máquina que entrou para o reino da obsolência e retrocomputação, ele tem sua comunidade e grupo de entusiastas que o mantém vivo. A quantidade de informações e softwares disponíveis é imensa, e muitos destes softwares podem ser acessados gratuitamente e livremente através do site Aminet.

É esta legião de fãs que mantém a lenda deste guerreiro, com expansões e dispositivos novos que são lançados atualmente e mantém a comunidade ativa , permitindo que as máquinas possam ganhar mais velocidade e dispositivos extras, contando com recursos que vão desde portas USB, slots PCI, placas de rede, saída VGA, portas IDE, SCSI etc.

Quem está no mundo do Amiga e acaba se aprofundando nele, não fica apenas dentro de um plano retrocomputacional, e sim em torno de uma pseudo-modernidade bem curiosa, interessante e estimulante.

E para quem não está acostumado com o Amiga, preparei abaixo algumas explicações relativamente superficiais de algumas peculiaridades da arquitetura, que poderão ajudar o usuário a entender melhor a máquina.

 

Processador

Cada modelo do Amiga possui sua configuração básica padrão, mas todos eles podem ser expandidos de alguma forma ou chegar a utilizar as chamadas aceleradoras, que acrescentam mais velocidade e/ou memória a máquina.

As aceleradoras são placas contendo normalmente uma CPU e RAM próprias, e obviamente, quanto mais rápida e rara for a placa, mais alto será seu valor.

Para ter noção das CPUs disponíveis e a referência da performance, vamos imaginar de uma forma muito bruta uma medida de comparação de potência dos processadores utilizáveis no Amiga em relação aos PCs:

CPU 68000  7 Mhz      -   CPU 80286 8 Mhz
CPU 68020 14 Mhz      -   CPU 80386 SX 16 Mhz
CPU 68030 40/50 Mhz   -   CPU 80386 DX 40/50 Mhz
CPU 68040 40 Mhz      -   CPU 80486 40 Mhz
CPU 68060 50 Mhz      -   CPU Pentium 66 Mhz

Ressalto mais uma vez, isso é uma comparação grossa sem levar em conta todos os fatores que envolvem cada arquitetura e máquina, mas é válida para se imaginar a diferença de desempenho bruto.

Então de acordo com a tabela uma CPU 68060 pode parecer pouco, mas lembre-se, estamos lidando com retrocomputação, e se tratando de um mundo onde máquinas de 8 bits são apreciadas, ter uma CPU sofisticada de 32 bits a 60 Mhz equivale a um super computador.

O ponto principal a se levar em conta sobre a performance do Amiga é relativo principalmente ao seu software otimizado e aos circuitos integrados customizados, portanto, não há como comparar diretamente um PC com um Amiga, mas dá para aproximar as coisas vendo como softwares semelhantes se comportam, e foi baseado neste conceito que criei a tabela.

 

Arquitetura customizada: As vantagens

Uma das características marcantes do Amiga foi a beleza na apresentação de seus jogos, com animações fluídas e imagens bem coloridas, além de seu áudio digital que nos presenteava com composições musicais fantásticas.

Todos os modelos da plataforma Amiga possuem circuitos integrados customizados, e cada um deles possui sua função e nome específicos.

Um outro detalhe que chama a atenção é a forma que a memória RAM é distribuída na máquina. A memória básica padrão do Amiga é chamada de “ChipRAM”, pois é compartilhada com o chipset (vídeo, áudio etc) e sofre atrasos. As aceleradoras e outras placas de expansão de RAM introduzem uma memória que mantém uma comunicação direta com a CPU, chamada de “FastRAM”, proporcionando assim um ganho considerável de velocidade.

A plataforma começou sua vida com o chipset chamado OCS (Original Chip Set), utilizado entre os anos de 1985 a 1990, presente nos modelos Amiga 500, Amiga 1000, Amiga 2000 e Amiga CDTV.

Explicando de forma básica, no conjunto que compõe o OCS temos os seguintes processadores:

  • Agnus: Controla o acesso da chamada “chip RAM”, suportando até 512 Kb de RAM compartilhada entre a CPU e os processadores do chipset, e por consequência era usada para a memória gráfica também. Ele podia executar procedimentos especiais para acelerar a performance gráfica e criar efeitos. Revisões posteriores davam suporte até 1 Mb de RAM.
  • Denise: É o processador de vídeo, capaz de atingir a resolução de até 640×256 pixels (PAL) ou 640×200 pixels (NTSC), sendo capaz também de dobrar a resolução vertical usando entrelaçamento. Possibilitava a utilização de até 32 cores de uma paleta de 4096, ou até 4096 cores simultâneas ao utilizar um modo especial chamado HAM (Hold and Modify). Também era responsável pelos sprites.
  • Paula: Responsável pelo controle do som, interrupções, portas de entrada e saída, drive de disquetes, joysticks e porta serial. Ele podia reproduzir até 4 canais em estéreo (2+2) mixados via hardware, usando som PCM de 8 bits com frequência de 20 Hz até 29 KHz.

Depois veio a segunda geração de chipset da plataforma Amiga, chamada de ECS (Enhanced Chip Set).

O ECS foi introduzido em 1990 no lançamento do Amiga 3000, e também foi inserido nas versões posteriores do Amiga 500 e Commodore CDTV. No ano seguinte o ECS marcou sua presença no Amiga 500+ e por último ele foi utilizado no Amiga 600 em 1992.

O ECS passou a utilizar o Super Agnus, suportando até 2 Mb de “chip RAM”, e o processador Denise se tornou capaz de trocar os modos de vídeo PAL e NTSC via software, recebeu melhorias na exibição de sprites e transferência de pixels, e ainda foi incluído o suporte a resoluções mais altas, chamadas de “Productivity” (640×480 não entrelaçado) e a “SuperHires” (1280×200 ou 1280×256) com possibilidade de entrelaçamento, mas limitado a apenas 4 cores na tela.

E por fim foi lançado o AGA (Advanced Graphics Architecture) em 1992, sendo a terceira e infelizmente última geração de chipset da plataforma Amiga, utilizado no Amiga 4000, Amiga 1200 e Amiga CD32.

No AGA o processador Agnus foi substituído pelo Alice, que passou a prover um barramento de dados em 32 bits para a “Chip RAM” e oferecer DMA para os planos de bits de imagem.

Outra substituição no AGA foi a do processador Denise pelo Lisa, que incluiu um modo de 256 cores (8 bits) simultâneas de uma paleta de 16 milhões (24 bits). O modo HAM foi ampliado para incluir o HAM-8, permitindo até 262144 cores (18 bits) simultâneas.

Graças ao Lisa o scroll no modo “SuperHires” se tornou suave e foi acrescentado o paginamento rápido de 32 bits para suportar a largura de banda dos novos modos gráficos e suporte a sprites maiores.

Mas como nem tudo são flores, o AGA ainda manteve o resto da arquitetura da forma que estava, e mesmo o Alice usando vias de 32 bits, o restante ainda ficou estrangulado nos 16 bits de barramento e o processador de áudio Paula foi mantido intacto.

 

Arquitetura customizada: O declínio

Apesar das aparentes vantagens do chipset customizado da plataforma Amiga, o maior problema é que no lançamento do AGA em 1992, já haviam processadores de vídeo mais potentes nos PCs capazes de criar resoluções maiores com um desempenho muito superior a um custo baixo.

A grande verdade é que o aprimoramento do AGA em relação ao ECS foi considerado pequeno em relação ao que a tecnologia havia avançado em outras máquinas.

Entre as maiores desvantagens do AGA, destaca-se a utilização de um barramento de apenas 16 bits nas operações de transferência de pixels e varredura, desperdiçando a largura de banda de 32 bits.

E apesar da capacidade em gerar 256 cores simultâneas, a imagem era gerada em modo “planar“, isto é, eram necessários vários planos de bits para construir a imagem sem que uma região de RAM específica fosse definida. Este modo era utilizado a fim de economizar memória e poupar largura de banda, mas a maior necessidade de acesso a RAM ocasionava uma considerável perda de performance. O PC, por exemplo, gera imagens em modo “chunky“, isto é, os bits que representam uma imagem são agrupados juntos, o que ocupa mais memória mas garante uma execução mais rápida.

Para contornar alguns dos problemas da arquitetura customizada, o usuário poderia optar por placas que usassem o padrão do Amiga, válido diretamente nos modelos Amiga 2000, 3000 e 4000, por possuírem slots para esta finalidade. No caso do Amiga 1200 era possível comprar um kit que permitia colocá-lo em uma torre e adicionava slots.

O problema é que no geral estas placas eram caras e as transformações também, além de misturar novos padrões ao sistema sem que um fosse totalmente compatível com o outro, por exemplo, jogos que usam o chipset original da máquina não exibiam a imagem em monitores ligados nas placas de vídeo conectadas aos slots, entre outras peculiaridades que muitas vezes desagradavam o público mais exigente.

No fim das contas, a demora da Commodore em prover chipsets mais poderosos e a reutilização de padrões obsoletos nas novas máquinas, acabou obrigando os usuários a migrar para o PC a fim de ter um hardware mais compatível, flexível e econômico.

 

Níveis de experiência: Custo x Performance x Satisfação

Creio que tudo o que envolve o Amiga foi criado em cima do conceito de satisfação, isto é, em sua época era impossível não se surpreender com suas imagens, animações e áudio digital.

Tanto quanto hoje, na década de 80 e 90 um microcomputador era considerado uma máquina de verdade se fosse capaz de executar aplicativos, como um bom editor de textos, planilhas de cálculo, editor de imagens, entre outros recursos, para que pudesse oferecer uma experiência completa ao usuário. O Amiga oferecia tudo isso e tinha bons softwares em seu tempo, e mesmo assim, conheci muita gente que na época comprou um Amiga só para ouvir músicas, assistir demoscenes e curtir jogos clássicos. Hoje tudo isso é corriqueiro, mas quando ele foi lançado, era a vanguarda da tecnologia.

Voltando a nosso mundo moderno, ao usar um Amiga hoje você precisa ter em mente que há os níveis de experiência que cada um dos modelos da plataforma podem lhe proporcionar. Apesar da alma ser a mesma, a diferença de desempenho e recursos chega a ser gritante entre uma configuração e outra, algo que não é diferente do que sentimos hoje com os PCs.

Há pessoas que utilizam um mero Amiga 500 com 1 Mb de RAM e drives de disquetes para curtir bons jogos clássicos, o que é suficiente mas obriga o usuário a conviver com o tempo de carregamento e troca de discos. Um emulador de drive de disquetes pode aliviar o processo, mas o tempo de carregamento sempre estará lá. O investimento em um Amiga 500 em bom estado pode oscilar atualmente entre US$ 100.00 a US$ 250.00, dependendo do conjunto.

E vamos falar a verdade, um micro destes completo é muito bonito, não é mesmo?

Correndo para a outra extremidade, há os entusiastas hardcore que possuem um Amiga 4000 com aceleração máxima, colocando o hardware em um gabinete torre, incluindo além de um CPU 68060, um CPU PowerPC, placa de vídeo, som, rede e outros dispositivos para chegar ao máximo que a plataforma possibilita. Sem dúvida esta é uma experiência ímpar, mas que é indicada somente para os usuários mais experientes e que não tenham medo de gastar, pois não é nem um pouco difícil ultrapassar a quantia de US$ 2.500,00 para se ter um Amiga 4000 tão completo.

Para colocar tudo isso dentro da máquina o espaço é fundamental, então não pense que o tamanho de uma torre destas é à toa:

Na verdade mostrei os dois pontos extremos da plataforma, porém, boa parte dos entusiastas acabam optando por um custo e performance mais equilibrado.

Para chegarmos neste parâmetro de equilíbrio é preciso estar ciente de que ainda existirão jogos e aplicações que poderão apresentar um desempenho comprometido, mas a grande maioria do acervo disponível deverá rodar com excelente performance, nos proporcionando a tão esperada satisfação.

Apesar de não ser uma regra, boa parte dos usuários “mid-range” acabam escolhendo o Amiga 1200, pois ele é compacto, expansível e tem o chipset de vídeo AGA, e o melhor, o valor de uma aceleradora de médio porte para ele é atraente. Um micro deste com aceleradora 68030 costuma oscilar entre a faixa de US$ 400.00 a US$ 500.00:

Mesmo em um Amiga 1200, também é possível partir para níveis mais altos de performance através de aceleradoras com uma CPU 68040 ou 68060, mas que definitivamente fogem da categoria econômica. Para se ter uma ideia, o valor médio de uma aceleradora top de linha, que inclui também uma CPU PowerPC além do Motorola 68060, pode passar de US$ 900.00:

O importante é que o usuário tome sua decisão sobre qual política de uso ele deseja manter ao usar seu Amiga, e assim possa decidir qual dos modelos da plataforma irá usar. Mesmo que você se contente hoje, estude e visualize quais serão suas opções de expansão e acessórios futuramente.

O Amiga é uma plataforma maravilhosa, mas definitivamente se o usuário decidir correr para o lado da performance, o escorpião poderá ferroar pesado seu bolso.

 

Sistema operacional

Desde a primeira versão, o AmigaOS era um sistema a frente de seu tempo, sendo capaz de executar uma multi tarefa invejável em uma CPU 68000 de apenas 7 Mhz, então imagine o que ele faz em processadores mais rápidos e com mais memória RAM disponível.

O AmigaOS possui uma multitarefa preemptiva provida pelo kernel chamado “Exec“, incluindo uma camada única de abstração de hardware, um sistema operacional de disco chamado AmigaDOS, uma API de sistema de janelas chamado Intuition e a interface gráfica de usuário chamada de Workbench. Também era integrada ao sistema uma interface textual para comandos chamada de AmigaShell. Todos os recursos se complementavam e compartilhavam os mesmos privilégios.

A nível de multitarefa e modernidade, pode-se dizer que o AmigaOS estava quase 10 anos a frente do Windows 95.

Com relação ao nome do sistema, eu mesmo o chamava de Workbench até o momento da criação deste post. Na verdade, devido a um erro cometido pelo departamento de vendas da Commodore, os primeiros disquetes do AmigaOS, que acompanhavam o Amiga 1000, davam o nome de todo o sistema operacional como “Workbench”. Depois disso, os usuários e a própria Commodore começaram a referir ao Workbench como um “apelido” de todo o Amiga OS (incluindo o Amiga DOS, Extras etc). Este consentimento comum acabou com a entrada do Amiga OS 2.0, que reintroduziu os nomes corretos nos discos do AmigaDOS, Workbench, Extras, Fonts etc.

O sistema foi voltado para a arquitetura das CPUs 680×0 até a versão do AmigaOS 3.9, ao qual a partir da versão 4.0 ele foi reescrito para rodar totalmente em cima de um processador PowerPC.

Posso ser apedrejado por este comentário, mas para mim a plataforma original do Amiga vai até o AmigaOS 3.9, passou deste ponto e obrigou o uso de um PowerPC, ao meu ver não é mais um Commodore Amiga.

Para instalar facilmente o Workbench e ter uma boa performance de acordo com a configuração de sua máquina, recomendo a visita ao site Classic Workbench.

Até dá para usar o Workbench com 1 Mb de RAM, mas para ter uma experiência básica viável com o modo gráfico, recomendo o mínimo de 2 Mb de RAM.

Por exemplo, os usuários do Amiga 600 que tem entre 1 a 4 Mb de RAM e não possuem uma aceleradora, é recomendado utilizar o pacote conhecido como “Classic WB Amiga Green Alien Edition“, ou GAAE, que apesar de não ter um visual tão chamativo, oferece uma ótima velocidade e já conta com alguns aplicativos e configurações essenciais:

Para aqueles que gostam de um visual mais bonito, com uma aceleradora e a partir dos 4 Mb de RAM é possível carregar um ambiente com mais cores e outros detalhes “cosméticos” interessantes. Na minha configuração atual, em um Amiga 1200 com CPU 68030 de 40 Mhz e 10 Mb de RAM, este é o ambiente visual que utilizo:

E para aqueles que tem potência suficiente para se aventurar a acessar a internet graficamente, é recomendado ao menos 32 Mb de RAM, e em alguns casos, navegadores mais complexos pedem 64 Mb ou mais.

Pois é, dá para perceber que o Amiga hoje em dia fica em uma linha estranha entre retrocomputação e utilização pseudo-moderna. O limite vai depender do entusiasmo (e investimento) do usuário.

 

Execução de jogos

Como eu já expliquei anteriormente, você pode rodar a grande maioria dos clássicos através do drive de disquetes, mas sinceramente há muitos títulos disponíveis, e boa parte deles usam mais de um disco. Garanto que depois de um tempo a troca de discos não vai parecer tão divertida.

Mas então como rodar os jogos de disquetes sem usar um emulador de discos e sem ao menos usar disquetes? Foi aí que entrou o projeto que impulsionou o Amiga neste sentido: o WHDLoad.

O WHDLoad é um software que carrega os arquivos dos jogos originalmente feitos para disquetes ou CDs e os convertem em pacotes instalados no HD.

Para ir além, o site WHDownLoad oferece gratuitamente para download os pacotes prontos de cada jogo, basta descompactar em seu HD e clicar para jogar, mas obviamente você precisará ter o WHDLoad instalado e configurado.

Com relação a exigência do hardware para usar o WHDLoad, isso dependerá da exigência do próprio jogo. Por padrão na execução dos títulos via WHDLoad é utilizado o recurso de “preload”, isto é, todo o conteúdo dos discos originais são carregados na memória para garantir a maior performance possível, e neste caso é interessante ter no mínimo 4 Mb de RAM ou mais. Há muitos jogos que rodam perfeitamente com menos memória, mas nos títulos mais exigentes o usuário poderá ser “presenteado” com pausas desagradáveis de carregamento e que podem incomodar, pois o sistema fica indo e voltando da camada de execução do WHDLoad, fazendo com que a tela pisque pausadamente acarretando em uma boa perda de performance.

Jogos que tem uma quantidade imensa de discos, como o caso de alguns adventures ou títulos convertidos do Amiga CD32 com animações em vídeo, estes provavelmente irão rodar bem somente com 16 Mb de RAM ou até mais.

 

Exibição das imagens

Um ponto muito importante a ser levado em consideração para quem desejar utilizar o Amiga de forma mais séria, é a questão da apresentação do vídeo.

O Amiga por padrão é capaz de exibir imagens em qualquer televisor através da conexão de vídeo composto, o que para as resoluções mais baixas e jogos está de bom tamanho, porém, nas resoluções mais altas qualquer letra pode ficar praticamente ilegível, o que dizer então das resoluções entrelaçadas.

O micro também oferece saída RGB com 15 Khz de sincronia horizontal, que pode ser ligado a monitores que aceitam este padrão. Neste caso nitidez não é problema.

Na época os monitores da própria Commodore cumpriam bem o seu papel, e havia também uma boa disponibilidade de monitores CRT multisync que aceitavam as resoluções do Amiga, porém, o tempo não foi generoso com esta tecnologia e é bom pensar duas vezes antes de investir em um monitor de tubo que pode ter mais de 20 anos.

E para os felizardos possuidores de monitores mais atuais que aceitam 15 KHz, basta fazer ou comprar um conector DB23 para VGA e ser feliz. Ao mesmo tempo é bom ficar esperto, afinal, estes tipos de monitores LCD estão ficando cada vez mais raros e de difícil reposição.

Mas e se você não se encaixa em nenhuma das categorias acima e gostaria de ligar seu Amiga em um monitor VGA comum?

Se for usar somente o Workbench, é possível utilizar uma resolução específica para monitores VGA, mas não será possível ver a imagem dos jogos em 15 KHz. Alguns usuários deixam um monitor VGA para o ambiente gráfico e uma TV ligada no vídeo composto para os jogos, é estranho, mas não deixa de ser uma solução.

Mas há ainda mais duas alternativas…

Você pode adquirir um scan doubler externo barato, caso do conhecido GBS 8200/8220:

Para mim por enquanto está de bom tamanho. Veja de perto parte de meu desktop na resolução de 640×512:

Mas depois de todas estas alternativas, vem a cereja do bolo…

Se você tem um Amiga e puder investir um pouco mais, compre logo um scan doubler com flicker fixer interno, que é a capaz de prover a imagem mais perfeita possível. O produto indicado neste caso é o produzido pela Individual Computers, chamado de Indivision (note a placa vermelha na foto abaixo).

O Indivision tem vários modelos, pois como ele é instalado para substituir o processador customizado responsável pela exibição de vídeo, o produto pode variar conforme o modelo do Amiga.

A vantagem do Indivision em relação a todas as outras alternativas é que ele pode exibir resoluções mais altas sem usar entrelaçamento e pode receber atualizações de firmware incluindo novos recursos, como simulação de scanlines, por exemplo.

Clique na imagem abaixo e veja um monitor exibindo a resolução de 1024×768 usando uma placa Indivision:

O único problema do Indivision é seu preço, girando em torno de US$ 150.00 a US$ 200.00.

 

Mas e aí, ter um Amiga 1200 acelerado é legal?

Ah, com certeza é muito legal!

A configuração atual da minha máquina é provida por uma aceleradora GVP Jaws com uma CPU 68030 de 40 Mhz (sem MMU), FPU 68882 de 40 Mhz e 8 Mb de FastRAM, resultando em 10 Mb de RAM no total (somando aos 2 Mb do próprio A1200).

Ainda não estou exatamente na configuração que gostaria, pois desejo futuramente colocar mais memória RAM ou até mesmo trocar a aceleradora por um modelo mais atual, mas não posso dizer de forma alguma que não esteja satisfeito.

Não tem preço poder clicar e abrir “Shadow of The Beast” em 2 segundos, e rodando no hardware original ligado um amplificador de som.

É fato que depois de um certo tempo você acaba percebendo que está usando o micro mais para jogar ou ouvir músicas, mas com uma certa dose de coragem dá para acessar alguns sites básicos ou pegar coisas interessantes na Aminet:

Digo “dose de coragem” pois com 10 Mb de RAM acaba me sobrando cerca de apenas 3 Mb após carregar os softwares responsáveis pela conexão junto com o navegador, e se eu me aventurar por sites mais pesados o micro trava. A velocidade é precária principalmente se surgirem muitas imagens, mas até dá pra conviver se for para uso básico e baixar algumas coisinhas.

Não posso nem pensar em Facebook e similares, primeiramente porque o navegador não dá suporte a isso, e mesmo que eu tivesse muita memória e instalasse um navegador que tenha recursos suficientes, creio que o desempenho em uma CPU 68030 pode ser frustrante em sites com scripts e outras “firulas”. Imagine usar o Windows 95 com Firefox em um 386 e você entenderá a situação.

Com relação ao WHDLoad, sua execução é incrível, posso carregar os jogos tanto através das pastas gráficas bem como posso usar as interfaces que listam os jogos com screenshots, o desempenho se mantém sólido.

Em um jogo ou outro acabo sendo surpreendido por breves carregamentos e pausas, mas só para aqueles que originalmente vinham em muitos discos, caso do Mortal Kombat II (versão para 2 Mb de RAM), Monkey Island II, Breathless e outros. Mesmo assim posso afirmar que não houve um comprometimento tão grande assim, dá pra jogar na boa.

E agora vem a surpresa…

 

Emuladores rodando em um Amiga 1200 acelerado (ueba!)

Só para nível de curiosidade, baixei tudo quanto é tranqueira de emuladores para testar se algo era produtivo… E eis o resultado:

AmiMSX: Rodou muito bem todos os jogos de MSX 1 que testei, porém, títulos de MSX 2 não tiveram a mesma sorte e muitos não rodaram. De MSX 2, os que ficaram muito bons foram os consagrados Hinotori, Treasures of Usas e Vampire Killer. Foi incrível ouvir o som do AY em estéreo com boa fidelidade.

 

AmiMasterGear: Impressionante emulador de Master System e Game Gear. Rodou muito bem, apenas alguns poucos jogos apresentaram slowdown sem usar frameskip. A emulação do PSG não é tão boa quanto o AmiMSX, mas no geral está tudo muito bem feito, rápido e ainda permite save states.

 

PC-Task: Emulador de PC, se tornou freeware em 2012. Rodou bem, mas devido a velocidade de meu Amiga ele chegou no máximo ao desempenho de um PC-XT Turbo.

 

Apple 2000e: Rodou perfeitamente tudo o que testei do Apple II, mas o suporte preliminar do Apple //e não executava corretamente a dupla alta resolução. Do que testei posso destacar o Karateka, Force 7, Ghostbusters, Black Magic entre outros.

 

ASp: Rodou muito bem os jogos do ZX Spectrum 48k, e até mesmo fez uma ótima emulação da interface AY para ele. Mas ao rodar o modo de 128k, a ausência do MMU em minha aceleradora tornou a performance do emulador lenta. Segundo pesquisei, para quem tem uma CPU 68030 com MMU, é indicado o uso do emulador CBSpeccy, ele roda perfeitamente o ZX 128k.

 

Conclusão

O que penso a respeito da opção em se manter um Amiga acelerado até já citei, mas vou frisar a ideia mais uma vez.

Não sei se conviver com micros 8 bits em demasia me fizeram ter esta sensação, mas ao usar um Amiga acelerado tive a nítida impressão de pseudo-modernidade.

A sensação retrô só apareceu ao rodar os jogos clássicos, mas ao ligar o micro e ver o boot ser completado em cerca de 7 segundos, ser capaz de usar o Workbench com um visual legal, receber uma resposta rápida do sistema, testar e usar uma multitarefa funcional, utilizar aplicativos que fazem sentido, emuladores e outras coisas, fiquei com uma forte impressão de que eu estava usando uma máquina diferente, mas não tão velha assim.

Resumindo, se você ainda não tem um Amiga com aceleradora, saiba que a experiência é quase indescritível. Vale a pena.

38 comentários

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  1. Eu que fui e ainda sou usuário de Amiga achei o post muito legal, na verdade é a minha plataforma computacional preferida, meu primeiro contato foi com um Amiga 500 de um grande amigo meu, mas a febre mesmo veio com vídeo “Amiga o Computador da Década” da Discovery / Hitek (aliás esse vídeo sumiu da net, estava no Vimeo mas retiraram), devo ter assistido por volta de 100 vezes. Cara a experiência é única, até hoje eu recomendo o Amiga mesmo nas suas versões modestas (A500 com 1MB), o Amiga mais potente que tive o prazer de mexer é o meu um A1200 com uma RAM de 8MB e FPU 68882, fica legal pracas também, mas não chega aos pés de uma Aceleradora. A única coisa que tenho a reclamar você já fez o comentário, custo dos hardwares para Amiga é algo caríssimo mesmo, mas se levar em conta o custo de produção e a quantidade produzida, não vai dar pra melhorar tanto. Quem tiver oportunidade nunca pense duas vezes em obter uma aceleradora. Mauro não é impressão da era 8bits, o Amiga ainda é um computador de uso atual o problema é que isso é pra poucos, é o mesmo que equipar um PC com a melhor placa mãe existente, com umas 4 GPUs top de linha, máximo de RAM permitido,…, ou seja, esse cara vai investir pesado numa máquina que é pra poucos, mas assim mesmo o Amiga deixou um legado que ainda vai perdurar por muitos anos, talvez até depois da nossa geração. Parabéns Mauro ótimo post!

    1. Já ouvi falar deste documentário, vou garimpar para ver se encontro.

      E sem dúvida tudo referente ao Amiga é meio caro mesmo, mas se fizermos a coisa passo a passo, dá para incrementar uma máquina sem pressa e o investimento é diluído.

      O importante é ter consciência para não gastar os tubos em algo que pode acabar ficando encostado, então acabei escrevendo parte deste post para explicar ao usuário sobre a importância em dimensionar bem a máquina de acordo com o que você realmente irá fazer. Para colecionadores que acumulam, não faz tanta diferença, mas para o entusiasta que gosta mesmo de usar pra valer, é bom fazer certas contas antes de começar a mexer com esta plataforma.

  2. Mato a pau! muito bom esse artigo

  3. Quando a coisa é feita com amor ela acaba ficando maior ainda, mauro o seu texto deve servir de referência para aqueles que querem adquirir um Amiga 1200, gostei muito das análises dos emuladores e suas respectivas plataformas, foi de dar água na boca, parabéns.

    1. Pois é, fui para escrever algo e quando vi a coisa ficou um pouco grande, e olha, poderia ter ficado muito maior… O mundo do Amiga é tão vasto e detalhado que mesmo sendo superficial, o post não tinha como ficar pequeno.

      Eu estava preocupado com a quantidade de texto gerado, mas já fiquei feliz em saber que o pessoal gostou 😉

  4. Fantástico artigo, meus parabéns!

    1. Obrigado, meu amigo!

  5. Parabéns, Mauro, você tem feito um excelente serviço para a comunidade.

    Eu tenho algumas poucas discordâncias das conclusões que vc chega. Nada que comprometa o sentido geral da experiência que vc teve.

    A comparação vis-a-vis dos Motorolas 68k com os PCs só na velocidade não reflete o quanto essas maquinas batiam os PCs, mesmo sem aceleradora. Considerando que o Amiga 500 é uma máquina de 85, compare com um PC XT de 7mHz, e você vai ver uma máquina com multitasking, som estéreo, video colorido com capacidade que para mim só foi pareada com os 386 com placa de video vga e som estéreo.

    Os problemas econômicos da CBM, a discrepância entre o mercado americano e europeu da Commodore, etc, tiveram uma parte da culpa no “fracasso” do amiga.

    Houve outros problemas, também, no meu entendimento:

    a) Falta de aplicativos “sérios”. Para a qualidade da máquina, tirando o que já foi focalizado na parte de vídeo, editores de texto, planilhas, apresentação para Amiga eram quase caseiros e artesanais.

    b) Perda de interesse das publicadoras de games: Acho que a partir de 91-92, a maioria daquilo que víamos para amiga era basicamente Public Domain e Shareware.

    Não vou me alongar muito. Minha impressão na época do amiga foi muito forte. Em torno de 91-92, um amiga 500 em termos de jogabilidade, e qualidade gráfica e de som dava pau em 286-486. Pode parecer exagero, mas quem se lembra do investimento que você tinha que fazer (placa de video, placa de som, armazenamento, configurar IRQs, etc, etc) sempre se maravilhava como eles conseguiam resultados similares ou superiores com uns míseros disquetes de 800kb, coisa que no PC as vezes tinha que ter até CD para produzir qualidade compatível.

    Bem. A sensação do amiga sempre foi positiva. E sempre ficou um “buraco” naqueles anos no final da década de 90, quando esperávamos que alguma empresa séria tomasse conta dessa preciosidade. Infelizmente, a esperança mais séria (Gateway) só fez depenar as patentes desse computador fantástico que foi o Amiga.

    1. Não discordo de você com relação a comparação da performance e tudo mais.

      Quando fiz a comparação com o PC, comparei a força bruta da CPU apenas, não do hardware em sua totalidade, creio que até deixei claro este ponto, e até mencionei a questão da multitarefa e tudo mais em outros pontos do texto.

      E por mais que possamos entender a superioridade do Amiga até um ponto de sua vida útil, a nível de MIPS, um Motorola 68000 de 7 Mhz chega perto de um PC XT Turbo, mas isso não é real na prática (que é o que interessa), pois temos que levar em conta a arquitetura como um todo, os ciclos, wait states e outros atributos.

      Até por isso que na parte referente a “força bruta”, acabei comparando um 68000 de 7 Mhz a um 80286 de 8 Mhz. Um PC para se equiparar a um Amiga 500 na época, não bastava ter a CPU equivalente, neste conjunto seria necessário somar uma boa placa de vídeo VGA e placa de som general midi wavetable (Roland), sendo que e o valor disso sem dúvida era muito maior que o Amiga.

      Agora em contrapartida se pegarmos códigos que foram feitos para CPUs mais atuais, como o Quake por exemplo, ao rodá-lo em um Pentium 75 Mhz ele roda muito bem em 320×200, já no 68060 com este mesmo clock o jogo dá umas “engasgadas” mesmo usando uma placa de vídeo avulsa. A verdade é que o segredo do Amiga sempre foi sua otimização nos softwares que aproveitavam bem o hardware, se isso não for aplicado à risca, podemos não ver o seu brilho. Tenho certeza que se alguém não apenas portasse, mas otimizasse o código tanto do Quake quanto o Doom, teríamos ganhos de velocidade exorbitantes.

      O fato é que o tempo passou, os PCs foram se clonando por aí, os preços diminuíram e a tecnologia banalizou, e infelizmente a Commodore não conseguiu acompanhar, bem como muitas outras empresas que fabricavam microcomputadores “não-PCs” nas décadas de 80 e 90.

      E enquanto isso estou aqui me divertindo, e acabei por me impressionar em ver que meu Amiga 1200 conseguiu tocar MP3 em 11025 Hz mono usando um simples 68030 de 40 Mhz, algo que um 486 de 66 Mhz chorava pra fazer… Otimizações, otimizações…

      1. Mauro,

        Qual é a sua aceleradora? Quanto ela custou?

        Abs

        1. Minha aceleradora atual é a primeira versão da GVP Jaws, CPU 68030 40 Mhz e FPU 68882 40 Mhz. Está com 2 pentes de 64 vias de 4 Mb cada.

          Infelizmente esta aceleradora usa pentes proprietários da GVP, mas achei no eBay um vendedor que oferece os pentes há mais de 10 anos e é bem confiável, sai por US$ 65.00 cada pente de 16 Mb…

          Mas no fim das contas talvez eu compre uma ACA 1231 e venda esta GVP Jaws, pois estou querendo uma CPU 68030 com MMU para testar algumas coisas no Linux para Amiga.

          Ahhh… Paguei R$ 1.100,00 na máquina inteira, já com aceleradora, fonte de PC e placa PCMCIA wifi Orinoco Silver, então não tenho noção desta fatia de quanto seria o valor somente da aceleradora.

            • Everton Gomes em 25 de agosto de 2012 às 13:43

            Foi uma barbada, viu? rsrs Parabéns de novo!

      2. O que vc disse é verdade. É o mesmo que aconteceu com o X68000 no Japão. Só ia bem se fosse feito prá ele seguindo suas especificações. Saindo disso era só tranqueira. Grande abraço.

  6. Ah, ia esquecendo de citar… Essa parte dos emuladores que vc postou foi muito legal!!!

    1. Vou testar mais alguns e devo fazer uma alteração no post entre hoje ou amanhã, pois garimpando melhor percebi que os emuladores mais antigos se saem melhor algumas vezes, caso do CoolNES de 1996, ele roda bem rápido. Além deste estou testando agora o ShapeShifter, que emula um Mac Classic perfeitamente.

      E fico feliz em saber que gostou.

      Obrigado por comentar!

  7. Fala, Mauro, muito bom o artigo. Nossa, tem que tomar fôlego antes de começar, mas ficou massa, muito informativo e completo. Parabéns.

    A única coisa que eu não gostei foi a tabela comparativa, apesar de entender a que se presta, é necessário partir do princípio que o Amiga usa “Custom Chips” para tarefas específicas e que casam perfeitamente bem com o processador (o 68k é uma obra prima, na minha opinião) e o sistema operacional que é muito otimizado. Não que não fosse possível obter o mesmo desempenho nos PCs, mas como máquinas “abertas” é muito mais complicado obter hard/soft tão otimizado tendo que cobrir uma gama imensa de opções de hardware.

    Mas isso não tira o mérito do artigo, que acho foi um dos mais completos que já li. Parabéns mais uma vez.

    1. A fim de manter o post dentro de um tamanho aceitável (mesmo ficando imenso), cortei muitas coisas. Por exemplo, quando eu estava com o 286 Harris aqui, de 25 Mhz, fiz uma experiência para verificar uma curiosidade que eu tinha. Deixei o micro com esta exata configuração:

      – CPU 80286 – 10 Mhz
      – 1 Mb de RAM
      – Placa VGA ISA 16 bits Video Seven
      – Placa de som Yamaha OPL SAx com OPL4 (wavetable)

      Então rodei alguns jogos para testar, entre eles “Titus The Fox”, “The Lost Vikings”, “Another World”, “F1GP World Grand Prix”, “Krusty Fun House”, “Menace”, “Blood Money”, “Storm Lord”, “James Pond 2”, “Xenon 2”, “Stunts” e muitos outros.

      Qual é coisa comum entre estes jogos? Todos eles tem versões que rodam na boa em um Amiga 500, certo?

      Enfim, o PC em alguns casos rodou mais liso, em outros o Amiga ganhou, mas a diferença maior é que em quase 90% dos títulos, o Amiga tinha um visual e áudio mais caprichado, e não porque o PC não podia fazer mais, mas sim porque as softhouses usavam melhor a máquina. O PC só conseguiu se destacar para os jogos e receber títulos mais caprichados depois que o VGA ganhou mais força pública e o preço se tornou atraente, antes disso sinceramente jogar em um PC era uma “roleta russa” no quesito qualidade.

      Então por melhor que o Amiga seja como um todo e sua arquitetura customizada seja fantástica, fiz a comparação em cima daquilo que percebi e li a respeito. Sim, cometi o pecado de comparar o Amiga ao PC e vice-versa, mas foi uma tabela despretensiosa numa comparação nua, e creio que deixei claro no texto que aquilo era uma questão de força bruta da CPU, e não da máquina como um todo.

      Eu sabia que esta tabela iria causar uma certa “dor de barriga” em alguns leitores, até em mim mesmo dá uma sensação nada agradável, mas achei que era interessante expor isso.

      E obrigado pela paciência em ler o post 😉

      Abraços!

  8. Mauro, parabéns. O artigo ficou muito bom. Bem completo e com muito bom senso!

    Apesar de também não gostar da tabela de comparação entre os processadores, também acho que é uma forma bastante prática de informar aos novos e futuros usuários da plataforma o que esperar de cada modelo. E como você bem disse, é loucura comparar as plataformas apenas por esse detalhe. Mas é um hábito comum comparar micros pelo clock do processador…

    Eu senti falta de alguns outros emuladores, já que você quis mostrar esse lado do Amiga. Os emuladores de Mac (ShapeShifter e Fusion) matam a pau. O Coolnes realmente é o melhor emulador de NES pro Amiga, apesar de não ser o mais compatível. O DarcNES e o AmiNES são bem mais compatíveis, mas muito mais “pesados” e lentos. E o Apple2000 é excelente! Cheguei a sentir calafrios quando vi a tela do Black Magic no teu post! ! 🙂

    Enfim, muito legal! Parabéns!

    1. Opa, primeiramente tenho que dizer que você lavou a minha alma. Um dos grandes gurus de Amiga tecendo este tipo de comentário dá um grande selo de qualidade ao texto 😉

      Depois que escrevi o post realmente testei mais coisas, mas não fui muito feliz ainda com o ShapeShifter que ficou lento por algum motivo e ainda não tive tempo de resolver. O Fusion não conhecia e vou me informar melhor, obrigado pela dica.

      Testei além do CoolNES, também o ZXAM, que é um excelente emulador de ZX Spectrum e rodou perfeitamente os jogos com direito a execução perfeita do AY, mas só emula o 48K e carrega apenas snapshots, o que é uma pena para jogos multiload.

      Assim que eu terminar de testar outros emuladores que rodem no 68030 irei complementar o post a fim de servir de material de consulta para aqueles que já possuem ou ainda irão turbinar seus Amigas com um 68030.

  9. Parenteses: Ilhas de edicao LINEAR e nao as NAO LINEAR. Ilhas NAO-LINEARES armazenavam os frames em disco. O amiga so fazia isso com a Flyer (tambem da newtek) que ninguem tinha. A Toaster só fazia edicao LINEAR, sendo que as animacoes 3-D tinham que ser gravadas quadro-a-quadro, com um deck de video que tivesse essa capacidade (eu tinha um u-matic que gravava quadro-a-quadro.

    1. Sei que o Amiga tinha capacidade para edições NÃO-LINEARES com o devido hardware, mas realmente era para poucos e raro de ser visto por aí, salvo algumas emissoras da época.

      Eu quis dizer LINEAR mesmo no texto, passou batido.

      Se encontrar outra discrepância neste ou em qualquer outro post do site, fique à vontade em apontar e sugerir a correção.

      Agradeço sua boa vontade.

  10. Uma pena que agora que pude ler este artigo, você já se desfez do seu equipamento. Eu ainda tenho o meu A1200 com aceleradora Blizzard IV 68030@50MHz/68882@50MHz, mas faz um tempo que não tenho brincado com ele (tenho-me dedicado mais ao TK90X).

    Eu usei muito este micro para processamento de textos e planilhas na época. Pena que, com os problemas financeiros da Commodore, a linha Amiga nunca mais se recuperou. Mas com certeza não será esquecida, pois representou um grande avanço tecnológico na época de seu auge.

    1. Pois é, não teve jeito, tive que vendê-lo… Bem como todos os outros.

      Mas vão-se os anéis, ficam-se os dedos, e ainda bem, pois tenho muito a escrever e por enquanto mesmo sem hardware retrô algum, com a experiência dos micros que tive no decorrer de um ano assunto é que não vai faltar.

      Obrigado pelo comentário.

  11. Ola conheci este maravilhoso computador na Paulisoft em são paulo , foi paixão a 1 vista ..
    Atualmente eu tenho um amiga 1200 e um 500 HD+ … O 1200 esta equipado com um CF card com whdload ,com todos os jogos e demos que gosto .. Uso uma aceleradora Blizzard 1230 MK IV Phase 5 with 32 MB RAM .. Olhando no ebay encontrei para mesma memoria de 64mb e 128mb , tambem a FPU MC68882RC50A .. Mais Gostaria da ajuda dos amigos :
    Como ja dito já possuo 32mb , estou na duvida se vale a pena investir em um pente de memoria de 64mb ou 128mb e FPU Meu perfil é somente rodar os jogos e demos , vou sentir alguma diferença ? Ou não vale a pena o investimento ? . obrigado a todos ..

    1. Os demos pesados que exigem 64 Mb normalmente são para CPUs 68040 ou 68060, então não faria diferença.

      Mais de 32Mb de RAM te daria um pouco mais de conforme se for acessar a internet, porém, um 68030 neste sentido também poderia testar sua paciência. O FPU pode ajudar se você usar um navegador otimizado para usá-lo.

      Enfim, provavelmente para o perfil de rodar jogos via WHDLoad e Demoscenes, você já tem uma boa configuração que roda 95% dos títulos para a plataforma.

  12. Caro Sr. Mauro, Recorro ao vosso conhecimento da linha “Commodore Amiga” para perguntar, se saberia me informar qual HD ( desses usados em notebook(s)) seria compativel com o “Amiga a600”. O meu, deu “pau”, e sei que sera muito dificil encontrar um original, mesmo que usado. Portanto minha saída, seria substituir por algum, que se adapte tanto ao cabeamento, como ao softer. Qualquer “dica” será de muita ajuda . Cordialmente Nelson

    1. Olá, Nelson.

      Você pode utilizar qualquer HD IDE de notebook, mas sinceramente? Acho que aproveitando esta infelicidade, você poderia utilizar um adaptador IDE-CF de 44 vias, e um cartão CF de até 4Gb. Você ganhará um pouco de velocidade, e ainda terá um micro mais silencioso e uma mídia confiável.

      Basta utilizar um adaptador CF-IDE fêmea, desde que com ângulo de 90 graus, conforme este:

      Ou você pode optar em utilizar um adaptador CF-IDE macho, com um pequeno cabo de 44 vias fêmea-fêmea, como este:

      Atualmente, o cabo pode ser encontrado no Mercado Livre, veja:
      http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-474563353-cabo-ide-44-pinos-vias-amiga-commodore-notebook-hd25-tk–_JM

      E o adaptador, já com cartão CF:
      http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-472695327-adaptador-conversor-compact-flash-ide-40-pinos-macho-cf-2gb-_JM

  13. Meus parabéns Bem explicativa a matéria mostranto como Amiga era avançado e o sitema era prático pra sua época. Ainda tenho o meu Amiga500 com 1mb de Ram e não penso em me desfaze-lo. Sempre bom saber que apesar do domínio dos pcs ainda tem gente que não abrem mão do seu Amiga como eu.

  14. Passei por aqui para dizer que o seu Blog é uma referência para os entusiastas retro em Portugal. Parabéns.

    1. Obrigado!!

  15. Oi, Mauro.
    Estava passando pelo mercado livre e encontrei este Amiga 600.
    http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-517784327-micro-commodore-amiga-600-funcionando-cacessorios-epoca-msx-_JM
    Você acha que vale a pena? O que é necessário fazer, para ele rodar jogos, pois lá no anúncio, fala que não tem disquete de inicialização. Tem como colocar um cartão CF neste Amiga 600?
    Obrigado pela atenção e fica com Deus.

    1. Para rodar jogos neste Amiga você tem duas alternativas:

      1) Se não fizer upgrades, terá que usar disquetes (o que pode testar sua paciência)
      2) Se for fazer upgrades, terá que no mínimo comprar um cartão PCMCIA SRAM de 4Mb e expandir a ram principal para 2Mb, assim terá 6Mb e poderá ter uma experiência razoável com o Workbench e carregar os jogos sem engasgos por meio de um adaptador CF-IDE e cartão CF.

      O problema é achar cartões PCMCIA SRAM por bom preço, e no exterior, quando são encontrados é mais comum o de 2Mb.

  16. Amigo, Mauro. Tudo bem?
    Rapaz, sei que você é bem “entendido” nesta plataforma, o Amiga. Você sabe, conhece ou tem algum Amiga 1200 ou Amiga 600 para venda? Estou em busca de um destes. Que caiba em “meu bolso”.rrsrs
    Aguardo tua resposta e fica na Paz.

    1. Puxa cara, estou sem nada aqui no momento. Ultimamente ando até sem tempo de escrever no site, rs…

      Veja com o Claudio Moises, de repente ele encontra algo legal e em bom estado pra você:
      http://www.lojinhadomoises.com.br

      Abraços!

      1. Tudo bem, de toda forma valeu.
        Abraços.

  17. Bom gostaria de saber onde posso comprar um amiga….. obrigado ja tive um a muitos anos atraz e me recordo de muitos aplicativos e jogos deste entao agora estou e uma plataforma intel i7 gamer

    1. Atualmente pode ser uma boa pedida você procurar em comunidades de retrocomputação pelo Facebook, tem muitas ofertas interessantes por lá, e pode também falar com o amigo Claudio Moisés, que sempre dá um jeito de achar alguma pérola 😉

  18. Olá Mauro. Gosto muito de seu site, mas a muito tempo ele não é atualizado. Ainda está ativo? Outra coisa é sobre sua coleção: vc vende alguns de seus retrocomputadores? Sabe onde posso buscar micros antigos em São Paulo – SP? Abraço e parabéns!

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