Conhecendo o povo de verdade: 9º Encontro Applemaníacos – SP

Aproveitando que hoje é 25 de maio, Dia do Orgulho Nerd, vou escrever sobre uma experiência que tive recentemente e foi o ápice da sensação e orgulho de ser NERD.

Nunca tinha ido em um encontro de retrocomputação, e este post relata portanto minhas impressões e experiência pessoal sobre o 9º Encontro de Applemaníacos que ocorreu em São Paulo em 19/05/12.

 

Introdução

Quando resolvemos participar de uma lista ou comunidade na internet, independente do assunto, temos ao menos um mínimo de afinidade com o tema proposto a ser debatido no grupo, e acabamos por desenvolver laços virtuais que podem se tornar verdadeiras amizades.

Neste caso estou mencionando o grupo AppleII_Br, ao qual, sem desmerecer todos os outros grupos que participo, considero um dos mais amigáveis e receptivos em todos os aspectos.

Com a iniciativa do amigo José Ferro, que cedeu espaço no salão de seu edifício, foi possível realizar este encontro de Applemaníacos, que desde o primeiro instante do anúncio pensei comigo mesmo: -“Este eu vou de qualquer jeito”.

 

A chegada

Coincidentemente cheguei cerca de 10:00 da manhã, vendo outros ilustres membros do grupo carregando suas coisas e entrando no prédio. Reconheci imediatamente alguns só de bater os olhos, mesmo que não nunca tenha visto qualquer um deles pessoalmente.

É uma sensação muito curiosa poder conhecer “ao vivo e a cores” as pessoas que já troquei tantas mensagens, que praticamente criei vínculos de amizade e companheirismo. Seria o inverso ao dito popular “dar nomes aos bois”, ali todos tinham seus nomes conhecidos, mas levei um tempo para associar ao rosto de cada um, e creio que quase todos ali sentiram a mesma sensação.

O clima de companheirismo e respeito se manteve por todo o encontro, provando que a sensação que o grupo virtual transmite é exatamente a mesma das pessoas em presença física.

Outro ponto muito importante que percebi foi o respeito e até mesmo curiosidade dos membros com a presença de máquinas fora da linha Apple, o que inclui as máquinas que levei (BBG NES, EZCom e Tandy 1000 HX), bem como as que outras pessoas levaram (MSX Turbo R, Vectrex, X68000 etc).

 

Destaques

Antes de continuar, preciso ressaltar que este post é uma visão totalmente particular sobre o evento, não estou sendo imparcial, pelo contrário, tudo o que estiver escrito aqui foi o que pude acompanhar, e tenho certeza de que perdi MUITAS oportunidades de ver coisas incríveis criadas pelos amigos, bem como máquinas maravilhosas e raras em pleno funcionamento.

Veja agora aquilo que se destacou perante meus olhos.

Não conheço muito da plataforma ZX-81, aqui no Brasil também conhecido como TK-85, e fiquei surpreso em ver um jogo nacional tão bem feito dada a limitação da plataforma. Abaixo a foto do jogo “Em Busca dos Tesouros”, desenvolvido por Tadeu Curinga da Silva e carregado através do “Ernani Loader”:

As reproduções feitas pelo Claudio Moises são uma coisa nas fotos, mas ao vivo percebe-se a qualidade absurda de seu trabalho. Não tinha uma pessoa no evento que não passasse a mão nas caixas e não ficasse boquiaberto. Abaixo uma reprodução da caixa nacional do Atari 2600:

Foi incrível o empenho de Fabio Belavenuto em realizar as modificações na SDiskII nacional para adicionar recursos como display LCD e botões para trocar as imagens de disco. Ele é um show de paciência, e quando sentou para começar a soldar só se levantou ao terminar o encontro. Infelizmente não foi possível concluir todas as placas devido a quantidade de pedidos e tempo disponível, mas os que não puderam ter sua placa alterada ao menos tiveram o PIC reprogramado e levaram os componentes para fazer a modificação em casa. Outros amigos também ajudaram o Fabio cortando placas, gravandos CIs, separando componentes entre outras coisas. Veja a cena que apelidei de “processo de fabricação chinês”:

Aproveitando a “linha de produção chinesa”, destaco mais um “trabalhador escravo” na bancada, o ilustre Lisias Toledo, que sentou para fazer o dump das ROMs de alguns aparelhos raros, para propósitos de estudo e preservação histórica. Na cena abaixo você confere ele removendo a ROM de um clone francês do Apple II, o Base64:

Também através das mãos de Lisias Toledo com o apoio de Fabio Belavenuto, vi pessoalmente o Compatiboot (CB2k) funcionando no TK2000:

Finalmente foi possível conhecer um Apple IIgs em ótimo estado, graças ao amigo Gilberto Agostinho:

Rilker Frota Cavalcante, um dos responsáveis pelo futuro museu de retrocomputação em SP, levou um maravilhoso Macintosh 512K funcionando perfeitamente, com direito a caixas de softwares e teclado numérico com trackball:

Para mim, a nível de curiosidade, o que mais me deixou empolgado foi a presença de um exemplar do raro microcomputador X68000, que apesar de estar fora da linha Apple, não teve como não ficar impressionado com a qualidade dos jogos:

Agora entendi porque um jogo de X68000 é tão caro… Olhando nas fotos eu achava que era uma simples caixa de papelão, mas na verdade é uma caixa de acrílico caprichada, com manual e disquetes 5 1/4, tudo muito bonito (note o detalhe do MSX Turbo R lá no fundo):

Infelizmente mais uma vez afirmo que sem dúvida perdi muitos outros momentos, mas creio que faz parte do show, não há tempo suficiente para acompanhar tudo e dar a devida atenção a todos.

 

Humor

Ser nerd não significa apenas que você entende de microcomputadores, eletrônica e afins, é indispensável ter um bom humor e ser alegre, caso contrário você pode cair no estereótipo dos anos 80 (tímido, quieto e sem mulher).

Uma pessoa que não imaginava encontrar por lá era o unipresente e entusiasta de MSX, Kim, que por sinal se demonstrou ser um cara muito bem humorado, simpático e poliglota (conseguia ler as mensagens em japonês do X68000 e a caixa em chinês de meu BBG NES!):

Engraçado foi ver o Kim projetando uma imagem do MSX Turbo-R no fundo de um evento de Apple II, bem no meio dos participantes… Ainda bem que ele escapou do “corredor polonês”.

O amigo Emerson “BrancoRP” já foi mais ousado no humor, foi com uma camisa do MSX só para ver a reação do pessoal:

Ver a tatuagem no braço do Sander Souza foi o máximo da mistura perfeita entre humor e conceito nerd:

Sem contar que no início do evento o Claudio Moises já começou com o mesmo estilo de brincadeiras que trocamos por e-mail, além de que levou o infame refrigerante “Mineirinho” sem dúvida como forma de humor, pois que me perdoem, que GOSTO HORRÍVEL, basta olhar nossa cara:

Todas as conversas que tive sempre terminavam com boas risadas e uma pitada de humor, e como sou do tipo que “perco o amigo mas não perco a piada”, espero que não tenha assustado ninguém…

 

“Penetras”?

Apesar de se tratar de um encontro do grupo Apple II, foi bem interessante ver a presença de diversos integrantes notoriamente conhecidos das listas de MSX, entre eles o Alexandre Tabajara, Daniel Campos, Sander Souza, Paulo “Bola”, Alexandre “Pacman” Pereira, entre outros. O clima de camaradagem era tanto, que só percebi que se tratava de um grupo de MSX quando comecei a ligar os nomes as pessoas no meio de uma conversa que tivemos, e notei que o assunto era mais focado nesta plataforma:

Achei muito interessante a presença deles e a boa mistura entre os outros membros. Isso mais uma vez me fez ter a certeza de uma necessidade de um grande evento retrocomputacional, como uma “Campus Party Retro” (sonhar não custa).

 

Retrô até nos negócios

Além das vendas das reproduções incríveis de caixas do Claudio Moises, percebi no encontro que rolavam muitas propostas de escambo (troca) entre máquinas e peças, e acho que isso torna o esquema ainda mais retrô e divertido, meio estilo idade da pedra.

Vi microcomputador Amiga 600 ser trocado por CFFA v1.4 pra Apple II, recebi propostas em meu Tandy 1000 HX, ouvi propostas diversas entre os membros, mas ganhei mesmo o dia ao trocar meus raros e queridos BBG NES e EZCom pelo fascinante X68000, graças a oportunidade oferecida pelo amigo Ricardo Wilmers, que demonstrou interesse pelos meus “alienígenas” desde o primeiro dia que os anunciei na lista. Para ambos sem dúvida foi uma troca que valeu a pena, e já que o Ricardo possui mais de um X68000, um a menos nem fará falta.

 

Lamentação

Se tem uma coisa que posso dizer que lamento sobre este encontro, é não ter conseguido dividir meu tempo para conversar com cada um dos participantes de forma mais efetiva. No dia seguinte ao evento senti uma sensação de remorso ao ver as fotos e nomes, e perceber que não consegui dar a atenção merecida a tantas pessoas que já troquei inúmeras mensagens.

Na verdade o entusiasmo coletivo era mais do que perceptível, era o encontro das máquinas que gostamos tanto, com pessoas que admiramos. Não sei se isso valeu a todos, mas cheguei a conclusão que me dividi de forma cruel entre poder olhar os micros e projetos que não conhecia pessoalmente, poder mostrar aos amigos os micros que levei, e ainda conseguir sentar para dar risadas com assuntos aleatórios.

 

Conclusão

Primeiramente, gostaria de me desculpar por não ter citado os nomes de todos os amigos que estiveram presentes no encontro além de não ter sido capaz de ter dado a merecida atenção a todos, mas creio que este sentimento é recíproco e muitos devem ter ficado com a mesma impressão.

Conforme mencionou o anfitrião José Ferro, em um evento destes nunca dá para saber quantas pessoas irão. Às vezes vão metade daqueles que afirmavam que iriam (a maioria dos casos), mas desta vez ocorreu o contrário, foi até mais do que aqueles que confirmaram a presença, o que sinceramente, creio ter sido muito bom para todos.

Agradeço aos presentes pela paciência comigo, e principalmente pela amizade, companheirismo e respeito, além da oportunidade em poder conhecê-los pessoalmente e ter feito deste evento um dia inesquecível para mim, que não foi apenas meu primeiro encontro, bem como também foi a confirmação pessoal de que sou nerd mesmo, e com muito orgulho, e o melhor, não estou sozinho!

 

Links Bônus

Se alguém tiver mais links relacionado a este encontro de Applemaníacos, por favor, me enviem.

29 comentários

1 menção

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  1. Novamente, excelente post.

    1. Obrigado!

  2. Mauro! Parabéns pelo X68000!

    Curioso que apesar de ser “cria” do MSX, eu sempre tive curiosidade com o TK2000 que a empresa do meu pai teve antes do Hotbit, e que eu nunca pude ligar porquê ele já pintou lá em casa estragado… Mas eu sempre achei aquele gabinete interessante, talvez mais que o do Hotbit! (só nunca entendi aquele espaço ENORME que “sobrava” dentro do gabinete, que cabia outra placa mãe igualzinha do lado…)

    1. Muitos acreditam que o TK2000 era para ser um Atari 1200 da Microdigital, mas não há nenhum indicio real, porém, talvez isso seja o motivo do espaço imenso interno.

      Veja um Atari 1200 que entenderá, o TK2000 é um clone exato dele por fora, só com algumas diferenças nos encaixes laterais (cartuchos, expansão etc).

      1. Sim eu já vi um e realmente o gabinete é “igual”… e eu acho mais legal que o do Apple2 e derivados; Por outro lado, para “clonar” um Apple2 o gabinete do TK2000 me parece um tanto “limitado”!

        Mais uma vez, parabéns!

  3. Ah! faltou dizer que também tinha um TK85 que também nunca funcionou lá em casa… esse era do meu tio.

    1. Depois que eu vi aquele joguinho legal no evento, mudei meu conceito sobre a plataforma ZX81…

      1. Se você curtiu o Em Busca dos Tesouros não deixe de ler a história completa dele no site oficial: http://muriloq.com/ebdt

        1. Opa, muito legal, obrigado pelo link!

  4. Excelente artigo, como sempre!
    Realmente foi um dia ímpar e apesar de todo o cansaço da viagem, posso dizer que valeu!

    Abs,
    Daniel

    1. Valeu mesmo, sem dúvida!

  5. E um feliz dia da toalha para todos nós!

    http://www.flickr.com/photos/lisias/505482182/in/photostream

    (a long time ago… =P)

    1. HAHAHAHAH… Mas tinha que ser você mesmo…

  6. Poxa, nenhuma foto minha!? 😛

    1. Problema corrigido… Bem que eu sabia que tinha me esquecido de alguma coisa… Veja o tópico sobre humor.

      1. Ah.. agora sim você me fez feliz! :PPP
        Forte abraço! 🙂

  7. Mauro,

    Parabéns, e o POST nao poderia deixar de ser pessoal, ainda mais quando a gente vai pra casa com um X68000 !!! ;-P , o seu “felling” transcreveu muito bem o encontro o que foi o encontro.

    E a sensação de não ter visto tudo e nem falado com todos não é só sua, por isso mesmo que venha o próximo encontro !!

    Abraço.

    1. Pois é… Você mesmo que já troquei tantos e-mails, mal consegui falar contigo no evento…

      E que venha o próximo!

  8. Parabéns pelo artigo, Mauro. Esse encontro ficou para a história.

  9. Cara, parabéns pelo POST!!!

    eu tenho ido em mais encontros esse ano e com certeza a sensação de “falta de tempo para conversar mais” realmente tem acontecido… e isso é bom, muito bom para nós, NERDS… pois sempre queremos e teremos mais encontros!!!
    Nesse dia qdo voltei para casa falei para minha esposa, – Puxa Claudia, como tem gente legal nesse mundo, o pessoal é 10!!!
    e ela me disse, – Clóvis, não existe pessoas ruins nesse SEU mundo!
    e Realmente não tem! podemos comprovar isso nos encontros, lógico, algumas divergências de opiniões, mas maldade, eu não vejo!

    Gde abraço

    Clóvis

    1. Interessante a forma que sua esposa respondeu… Ao menos neste encontro (o meu primeiro), senti realmente um sentimento ímpar de confraternização entre o pessoal.

  10. Uia, eu procurei um X68k pra mim lá no Japão e não achei, tá bem raro esse.

    1. Tá brincado, sério??

      Isso porque o pessoal dizia por aí que alguns encontram X68000 no lixo lá no Japão e depois cobram um absurdo para exportar…

      E olha que este meu é o primeiro modelo, já troquei todos os capacitores (inclusive dos drives), e está com 2 Mb de RAM. Peguei 100 discos 1.22 e fiz a festa, estou lotado de jogos.

      Quando vier pra cá, passa em casa para dar uma olhada, é show de bola ver as versões do Gradius para ele, e tem uma que é o Gradius 2 do MSX mesmo, só que “bombado”.

      Abraços!

  11. Mauro,
    Muito bom o post sobre o 9º Encontro Applemaníacos que realizamos.
    Leitura muito agradável e fácil de compreender.
    Realmente, foi um dia maravilhoso e com o detalhe: meu niver, sendo comemorado junto com os amigos e os novos amigos.
    Foi muito mais pessoas que eu e o Eduardo Luccas esperamos, mas valeu a pena cada minuto.
    O encontro encerrou às 19hs, porque, infelizmente, pediram o salão, senão, a gente ia até tarde da noite…. rsrsrsrs

    Agradeço a presença de todos que puderam participar desse grande dia.

    Um grande abraço,

    José Ferro

    1. Olha, valeu mesmo a pena, e agradeço muito por você ter proporcionado isso para todos nós.

      Como vários disseram no evento, o aniversário era seu, mas o presente foi nosso!

      Abraços!

  12. Excelente post, muito divertido! Foi um ótimo encontro mesmo!
    Abração!

  13. Muito bom artigo, parabens !!!

    1. Muito obrigado, meu amigo!

  14. Pq eu não tenho amigos nerds que curtem coisas retrôs tbm, Cacilda!? Só tenho amigo que idolatra 3D , adepto de modinha, que cospe em jogos 2D e demais coisas dos anos 80 que eu curto(tecnologias, músicas, jogos, tokusatsus e afins…ai ai ai… foi o auge mesmo…)
    Se eu disser pra eles que tenho um Nes em casa e que jogo esporadicamente, acordo morto no outro dia.(ou melhor, não acordo!)
    Essa gente acha obsoleto, ao extremo, até mesmo um Game boy Advance…
    A impressão que eu passo pra todo mundo é que sou um cara chato, que acha que tudo de antigamente era melhor, mas… não é isso, sei lá, tem uma magia por trás disso tudo: a simplicidade. O pessol se virava com pouco na época. Você via uma ilustração na label de um cartucho e ficava imaginando aquilo nos sprites do jogo.(Quantas vezes não vi a capa do jogo “Senhor das trevas” do odyssey e imaginava aquilo do jeito que estava na capa?). A imaginação imperava. Hoje com toda essa tecnologia de gráficos super avançados, há pouca margem pra imaginação, se torna esquecível. E o que dizer da internet então? Afastou completamente as pessoas das tantas experiências que tinhamos na infância como emprestar cartuchos, alugar um jogo e ficar louco pra chegar em casa e jogar… Sem falar dos boatos que corriam de boca a boca e das informações que víamos em revistas, afinal toda informação só chegava a nós desse jeito. A troca de experiências era mais rica, existia uma camaradagem maior. É só uma reflexão, não sou um cara que quer acabar com a internet
    Hoje em dia o individualismo é muito evidente, ninguém compartilha nada com ninguém, de bom grado, procura tudo sozinho pela internet e fim de papo.

    Bom, no mais, matéria foda essa, nostalgia pura só pelas imagens, curti pacas! Não acompanhei de perto essa época(sou de 85), mas sinto um carinho imenso por esses sistemas antigos, em especial o MSX, to quase aprendendo BASIC por causa dele.

  1. […] no acontecimento do 9º Encontro de Applemaníacos em SP tive a oportunidade de conhecer o Wilmers pessoalmente e receber uma proposta irrecusável para […]

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