Old but GOLD! – Pippols – MSX 1

Hoje inauguro a nova sessão “Old but GOLD!”, onde toda semana apresentarei curiosidades, programas, jogos e afins que são simplesmente verdadeiras preciosidades. Podem ser clássicos ou podem ser títulos esquecidos mas são verdadeiros “old but GOLD!”.

Para começar com o pé direito, apresento-lhes o jogo “Pippols”, lançado para MSX 1 em 1985 pela Konami. Pippols é um título que pode ser considerado do gênero shoot’em up (tiros), também conhecido por alguns no Brasil como “jogo de navinha”, só que neste caso, SEM NAVES 😉

No caminho você irá encontrar diversos inimigos com movimentos que seguem um determinado padrão para cada tipo ou cor, algo clássico se tratando de jogos para plataformas 8 bits. A coisa começa a complicar quando estes tipos de inimigos se misturam simultaneamente e você fica pressionado pela presença deles que surgem de cada canto da tela.

A movimentação não é livre,  você caminha entre obstáculos que são representados por vários tipos de desenhos conforme a fase (flores, árvores, pedras etc) ao qual se você não se movimentar com inteligência não é raro o momento em que o seu personagem morre “esmagado” pelo deslocamento da tela em um beco sem saída.

A história é bem simples e poderia resumir de forma simplista descrevendo o seguinte: “controle o menino para chegar até em cima do mapa, pegue a gema sagrada e desça tudo de novo até sua casa”. Simples, né? Não, é desafiador, divertido e exige um bom reflexo.

A cada final de fase você escolhe um caminho, que irá então mudará sua posição no mapa e gênero da fase. Você deve prestar atenção pois se houver um deslocamento demasiado para os lados isso fará com que seu caminho se prolongue com fases extras até chegar ao objetivo (gema sagrada ou sua casa), dificultando sua jornada.

A música dá um clima perfeito para a ação, conseguindo transmitir uma sensação de alegria nos momentos certos, mudando de tom conforme se coleta “power ups” ou atinge determinadas áreas na fase. Fica o destaque para a música que muda completamente anunciando regiões onde assombrações correm na tela (veja o tempo de 8:15 no vídeo abaixo). Quando eu era pequeno sonhava com esta música…

Confira abaixo um pouco da jogabilidade de Pippols:


Obs.: O vídeo não é de minha autoria.

No vídeo acima você percebe que o jogador já está no meio da jornada e quando pega a gema sagrada o deslocamento da tela é invertido para que você possa retornar a sua casa, e acredite, isso causa uma certa desorientação no jogador por um tempo, tornando o desafio ainda maior.

O que o destaca entre muitos é que Pippols é um jogo com recursos a frente de seu tempo para um MSX 1, já que em 1985 era muito raro ver o scroll liso na tela e personagens tão coloridos nesta plataforma, causando uma inevitável comparação com outros títulos da época, ainda mais com os famosos “jogos de navinha” que muitas vezes mereciam um scroll liso mas nem chegavam perto da qualidade do deslocamento suave que Pippols demonstrava. Logicamente isso era uma limitação do MSX 1, mas foi algo que a Konami soube superar com maestria.

Pippols é um título imperdível para que gosta de ação com um nível de dificuldade equilibrado, boa música e ambiente cativante. É old, but GOLD!

8 comentários

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  1. Outro jogo dessa época que tem o scroll fino é o Circus Charlie, eu acho até mais impressionante porque nesse caso é scroll fino horizontal colorido.

    O Rally-X tem scroll fino nas quatro direções, mas é monocromático então fica mais simples de implementar.

    1. Nossa, muito bem lembrando!

      O Circus Charlie creio eu que a Konami fez algumas misturas usando sprites, porque dava para perceber bem de leve uma diferença de sincronia, mas nada que desmereça a proeza.

      Já o Rally-X realmente era monocromático e não ocupava a tela inteira, porém, é digno de nota e achei uma boa conversão.

      1. A parte curiosa é que o código do Rally-X é muito, muito ruim. A impressão que dá é que ele não foi escrito em assembly, ao invés disso eles escreveram em alguma linguagem de alto nível e o compilador da época não otimizava direito.

        1. “Ruim” daquele jeito e fez um scroll monocromático pixel a pixel? Hum… Isso me faz voltar a pensar que muita coisa poderia ter sido feita de forma melhor em um mero MSX 1.

          Ainda não engulo o R-Type, o MSX pode ir bem mais longe.

            • Jorge em 30 de agosto de 2012 às 15:27

            Pelo que me lembro, Rally X não era monocromático, apenas os sprites eram… Mas o cenário tinha uma cor, o seu carrinho tinha outra, a pista tinha outra e os carrinhos inimigos, outra…
            Se não me engano Moon Patrol de MSX tb tinha scroll fino horizontal, não?

          1. O Rally X não era monocromático a nível de jogo, mas o scroll sim, isto é, os pixels que estavam sendo “empurrados” via software eram monocromáticos. Os outros objetos eram sprites, supridos via hardware.

            Que eu me lembre o Moon Patrol realmente também tinha scroll fino na horizontal, mas as faixas de scroll eram monocromáticas também.

  2. Por que será que todas as versões do MSX (até o 2+) tinham problemas com scroll?
    No MSX1 isso era problemático tanto na vertical quanto na horizontal, já no MSX2, corrigiram a vertical, mas a horizontal continuou ruim… Isso era algo que me penalizava pra caramba na época porque, se não fosse isso, principalmente o MSX2, que já possuía expecificações técnicas tão fantásticas, equiparáveis as dos consoles de 16 bits, como paleta de cores de 512 simultâneas na tela e resoluções de até 512X424 (em modo entrelaçado), teria sido o 8 bits “supremo”… Jogos que deveriam ter rolagem de tela não tinham (por exemplo Mr. Ghost, Youmakourin, Mon Mon Monster e talvez os piores casos de falta de scrool no MSX2: Vampire Killer e Contra, entre muitos outros) e, quando tinham, era aquele scroll “truncadão”…
    O que mais entristece é que a gente sabe que, mesmo com essa deficiência, dava pra fazer scrolls melhores (vide Psycho World e Fire Hawk), claro que às custas de muita programação e boa vontade… Dando margem a ficarmos imaginando como FRAY, YS III, Fantasm Soldier 2, que já eram impressionantes com scroll ruim, seriam com scroll fino…

    1. Te digo que se o VDP do MSX, se desde o MSX 1 (ou ao menos MSX 2) tivesse scroll fino via hardware em ambos os eixos, sem dúvida ele teria títulos que fariam frente a todo e qualquer 8 bits do mercado, inclusive ao NES e C64.

      Veja o caso do Nemesis 2 com o fix que roda ele com scroll liso. Te digo que parece outro jogo.

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