Retrocomputação: Hobby, vício ou estilo de vida?

Depois de quase um mês sem postar nada no site, parei para pensar a respeito de algumas coisas que me levaram a conclusões importantes, que na verdade não diz respeito apenas a minha pessoa, mas abrange também inúmeros indivíduos no mundo que acabam de alguma forma entrando em uma forte corrente saudosista.

Este post pretende mostrar detalhadamente alguns pontos sobre o ramo de retrocomputação, na intenção de que cada um de nós possamos parar e refletir sobre nossas escolhas. O que nos leva a isso? E no fim das contas, o que isso se torna para nós, hobby, vício ou um estilo de vida?

Observação: Todas as fotos deste post são meramente ilustrativas.

 

Tudo tem um começo

É curioso que ao perguntar aos amigos quando que eles começaram nesta vida de retrocomputação, acabei por obter respostas muito semelhantes. De tudo o que li e ouvi, generalizei em três fatores os motivos que normalmente causaram a ingressão de uma pessoa no ramo da computação obsoleta:

  1. Possuía as máquinas desde a infância e foi acumulando até o ponto que percebeu que construiu uma considerável coleção de microcomputadores antigos.
  2. Não tinha condições ou maturidade para ter certas máquinas na época, e hoje busca compensar esta falta.
  3. Procura nas máquinas antigas o resgate de sentimentos saudosistas que levam a tona boas lembranças de momentos agradáveis de sua vida pessoal.

Posso afirmar que a grande maioria das pessoas se encaixam nas categorias 2 e 3, pois são raros aqueles que acumularam as máquinas e são praticamente únicos proprietários de boa parte dos micros que possuem.

 

E onde isso nos leva?

É exatamente este o ponto que me levou a escrever esse texto. Onde o indivíduo chegará nesta vida de retrocomputação? Qual é o foco? Existe mesmo um objetivo ou tudo não passa de um hobby?

Em praticamente todas as listas que frequento percebi um denominador comum: Se o fator limitador não fosse o dinheiro, a maioria esmagadora dos entusiastas teriam galpões imensos lotados de microcomputadores de todos os tipos já lançados, e praticamente em todos os casos, a maior parcela destes micros ficariam lá somente pegando poeira.

É algo a se pensar, não é mesmo?

Quando você compra uma roupa, um carro, um tênis ou qualquer outra coisa, se depois de um certo tempo você o guarda e deixa de utilizá-lo, mas mesmo assim faz questão de mantê-lo, que significado tem isso?

Pensando nestas questões, agrupei as principais características das pessoas que tem ligação com retrocomputação:

Colecionador: Acumula as máquinas, softwares, manuais e tudo o que tiver ligação com retrocomputação conforme seu desejo. Ao usar os micros, normalmente acaba guardando o equipamento depois de um breve período de uso. Costuma apreciar e valorizar as caixas e todo tipo de item extra que acompanhe um equipamento.

Utilizador: Mantém somente as máquinas que utiliza. Se o micro ficar parado um certo tempo, ele provavelmente venderá a máquina para melhorar outra ou para adquirir outro modelo que tenha despertado interesse.

Entusiasta: Utiliza com paixão suas máquinas e aprende o máximo que puder sobre cada arquitetura. Normalmente é programador ou entende de eletrônica, ao qual costuma se tornar responsável por criar novos projetos de software ou hardware que acabam por beneficiar a comunidade de alguma forma. Estes são os usuários que costumam movimentar o entusiasmo dos outros membros.

Negociante: Por mais que goste das máquinas, descobriu um nicho de mercado e passou a comprar e revender hardware e software para comunidades específicas. Normalmente sequer usa o micro, compra ou importa as máquinas e vende logo após. Infelizmente existem aqueles que exploram demais os valores e acabam inflacionando o mercado, ao qual muitos se sujeitam a pagar para conseguir mais rápido o objeto de desejo, e principalmente, em um bom estado de conservação.

Restaurador: Existem aqueles que apreciam pegar micros antigos em estado precário de conservação e torná-los máquinas utilizáveis novamente. Alguns deles também se tornam vendedores, mas neste caso na verdade cobram pela restauração geral de um hardware raro, somando no valor da venda o seu serviço. Os valores cobrados por um restaurador variam de acordo com a dificuldade e precisão do serviço, bem como da raridade do item.

Modificador: Ele não cria projetos novos, mas normalmente os executa com criatividade. Este tipo de usuário é o que realiza os conhecidos “mods”, que adicionam novos recursos ou apenas alteram a aparência original das máquinas.

Compulsivo: Posso considerar que encontrei diversos graus de compulsividade neste ramo, mas vou citar o mais radical: o compulsivo extremista. Quem chegou neste ponto de compulsão provavelmente já passou por todas as vertentes possíveis descritas acima, e acabou se tornando um mero e radical comprador compulsivo. Este tipo de usuário pode acabar acumulando uma quantidade absurda de máquinas. A compra se tornou o seu prazer, ele praticamente não vende, não restaura, não coleciona e muitas vezes nem usa mais as máquinas que adquiriu, apenas compra tudo aquilo que tem ligação com retrocomputação e lhe desperte interesse.

 

Qual é minha classificação?

Essa é uma pergunta difícil, pois muitas vezes sequer o usuário é capaz de se auto classificar, e muitas vezes acabamos saltando de uma classe a outra de tempos em tempos.

Só criei esta classificação para facilitar na abordagem de certos tópicos em meu site daqui em diante. Eu, por exemplo, me considero como um utilizador de harware, entusiasta de software, modificador e restaurador.

Um ponto importante a ser revelado é que percebi que quase todos os usuários de retrocomputação acabam se tornando compulsivos, mesmo que de forma moderada. O que precisa ser sempre observado é a que ponto esta compulsão está chegando. Se você começar a notar que sua vida está girando em torno da utilização e compra de micros antigos, e isso está tomando muito seu tempo ou você está gastando dinheiro demais com isso, comece a ficar preocupado e pise no freio o quanto antes.

 

Vício?

É impossível dizer que os amantes de retrocomputação não sejam viciados de alguma forma. Eu mesmo não posso ver anúncios de micros antigos, principalmente aqueles que me despertam curiosidade e interesse. Se isso acontece, corro para ler artigos, vídeos e fotos, e se o interesse se mantiver por um tempo, sou obrigado a vender algum outro micro ou peça que esteja sem uso e parto para uma nova plataforma.

O problema é quando a pessoa começa a gastar acima de suas posses e mantém a ideia de acumular os micros, mesmo que não os utilize. É válido sempre lembrar que se a intenção é colecionar, é indispensável manter a calma e esperar a melhor oportunidade dentro das condições que lhe sejam acessíveis, pois o colecionador que não tem pressa no decorrer dos anos pode acumular uma excelente galeria.

Todos os colecionadores que conheci que eram apressados demais, um dia ou outro se fartavam e enjoavam ou ficavam completamente sem dinheiro, e acabavam por vender tudo de uma vez. Colecionar é um ato de paciência, e já que é algo que não tenho, nunca poderei me considerar um colecionador, apenas um utilizador.

Um conselho prudente é o do amigo Marcelo Pires, um membro muito forte e conhecido da comunidade Commodore Amiga no Brasil. Ele aplica uma regra que chamou de “regra dos 30 dias”. Se algum micro lhe despertar interesse, ele espera 30 dias para ver se este interesse ainda permanece, em caso positivo ele acaba comprando o micro. Em contrapartida, se ele deixar de usar algum micro também por mais de 30 dias, ele começa a pensar em vendê-lo.

 

Hobby?

Quando pensamos que temos um hobby, precisamos nos lembrar que isso é algo que precisa nos dar prazer e satisfação. Porém, no reino da retrocomputação é indispensável ter os pés no chão quando se trata isso como hobby, pois alguns começam a tentar partir para uma área mais comercial e acabam se decepcionando. Esteja certo de que é raríssimo alguém viver deste hobby ou ganhar dinheiro pra valer com isso.

Seja realista, se entregue ao hobby com diversão e alegria, nada além disso.

Hoje considero quase indispensável participar de fóruns e comunidades de retrocomputação, pois é assim que trocamos ideias, aprendemos mais e conhecemos novos projetos e pessoas interessantes. Mas também há alguns pontos ruins que podem lhe desanimar, então para manter a satisfação de seu hobby, recomendo observar algumas dicas abaixo:

  • Não se estresse com outros membros que tem opinião divergente a sua. Se a conversa começar a se tornar desagradável, pule fora e não diga mais nada.
  • Evite contato direto com pessoas da comunidade que sejam notoriamente conhecidas por ter o temperamento forte e criar discussões.
  • Se for fazer um projeto, comente primeiro com seus amigos da comunidade através de mensagens particulares. Tornar público um projeto antes de executá-lo pode ser o caminho para receber comentários desanimadores.
  • Ao realizar um projeto, se apegue a críticas maduras. Sempre existirão aqueles que fazem brincadeiras infantis ou gostam de colocar lenha na fogueira.
  • Se uma comunidade específica está lhe estressando, se desligue dela por um tempo, ou na pior das hipóteses, se desligue dela para sempre.
  • Não culpe uma plataforma de microcomputador pela postura dos usuários de uma comunidade. Se você gosta de um micro, isso já é o suficiente para mantê-lo.
  • Não critique de forma destrutiva ou zombe de outras plataformas, seja maduro e realista, todos os micros que gostamos já estão obsoletos de qualquer modo.

Minha esposa diz que quando estou na frente de minhas “máquinas de escrever” costumo esquecer do mundo e sorrio que nem criança. É isso mesmo, para isso existe o hobby, é o caminho para te tirar o stress e proporcionar um período de satisfação em seu dia corrido.

Se você tiver filhos, apresente a eles os micros antigos. Na verdade faça isso a todos de seu convívio, principalmente amigos e familiares. Você pode se surpreender e conseguir alguns bons parceiros para uma jogatina de Gauntlet, por exemplo.

 

Estilo de vida?

Sim, e porque não? E olha que quem leva o estilo de vida retrô acaba por contagiar pessoas a seu redor.

Darei um exemplo. Costumo ouvir músicas chiptune em qualquer lugar, e já me surpreendi diversas vezes com pessoas que não imaginava que acabariam por apreciar este tipo de cultura.

Ser retrô não é estar na moda, é ser aquilo que você é e abraçar aquilo que você gosta, sem seguir as tendências atuais.

Sinta-se à vontade em expressar sua tendência e não tenha vergonha de ser o que é. Não há nada errado em usar camisetas com logotipos antigos, ouvir músicas de computador e videogame no carro, jogar jogos de baixa resolução se divertindo que nem criança e outras coisas do tipo.

 

Conclusão

Enfim, depois de pensar muito a respeito, digo que o ramo de retrocomputação pode ser separadamente ou simultaneamente um hobby, vício e estilo de vida, tudo depende de como você administra suas tendências, e principalmente, como esta escolha influencia em sua vida como um todo.

E tenha certeza de que se a influência retrocomputacional é positiva em sua existência e lhe proporciona alegria sem preocupações e ansiedade demasiada, então você está no caminho certo.

31 comentários

2 menções

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  1. Ótimo texto! 🙂
    Gostei da regra dos 30 dias! Hehe. Essa eu não conhecia!
    Pra mim, realmente, foi a opção de não ter $$ na época que era criança e hoje posso comprar alguns (não todos).
    Já me senti compulsivo à comprar tudo, mas dei uma refletida e vi o que eu realmente queria. E hoje estou feliz: 1 ZX 128 +2, 1 MSX, 1 Amiga, 1 TK90X e 1 C64. São os micros que eu sempre via nas revistas, que sempre quis ter e hoje tá de bom tamanho. 🙂
    Certeza que vou mostrar tudo pro meu filho quando ele entender alguma coisa (só 4 meses ainda – hehehe). Minha esposa adorou alguns jogos e vira e mexe pede pra jogar um que dê pra jogar contra mim. E nos divertimos muito!

    Belíssimo texto!!!

    1. Aqui em casa minha esposa infelizmente não demonstrou interesse (ainda)… Mas meu filho de 9 anos vira e mexe fica curioso, não foi por falta de eu mostrar, mas o menino é “tentado” e não para quieto, gosta mais de brincar na rua. Quem sabe o meu de 2 anos acaba gostando.

  2. Mauro, achei excepcional este artigo que retrata com afinco o tema proposto. Não preciso nem dizer que me enquadro na maior parte dos comentários. Classificou muito bem os “retrocomputamadores”. E sou mais um que pertence a maioria que teve seu inicio segundo as categorias 2 e 3.
    Um grande abraço
    Alexandre D. Gonçalves (Legiao)

    1. A grande maioria pertence as categorias 2 e 3, e tenho até inveja de quem nasceu na categoria 1.

  3. Belo tema mauro, estamos todos no mesmo barco (hahahahaha)

    Grande parte de nossa cultura é formada de influências recebidas, não existe um tema ultrapassado ou morto quando existe um grupo que sempre estará revivendo esse tema e para o jovem que esta conhecendo o mundo (na verdade começa a construção do seu mundo) ele passa a receber todos os tipos de influências e consequentemente a copiar a forma de andar, falar e comportar e logo participa de um nicho (ou uma tribo com dizem) ex: Punk, Retro e etc… eles passam a assumir essas identidades, quanto mais jovens agregarem a nossa tribo melhor.

    Um grande abraço cacique Mauro (hahahaha).

    1. Já vi em fóruns gringos “colecionadores” com 15 anos de idade, e com salas cheias de micros! Lá fora a coisa é mais fácil, e é legal ver essa “pirralhada” se interessar por isso com afinco, assim tenho a esperança de que eles possam preservar e passar adiante esta cultura retrô, mesmo sem ter vivido esta época.

      Tem gente que questiona estes colecionadores novatos, mas questioná-los é o mesmo que dizer que um cara de 40 anos não pode colecionar calhambeques de 1910 porque não nasceu naquela época.

  4. Cara, parabens…voce definiu muito bem.. colecionar, usar, restaurar é tudo de bom, , eu me qualificaria um saudosista e um curioso que quer entender tudo , ver novidades, os micros que eu nao tive, ver os recursos,capacidades, linguagem..tudo sobre cada plataforma ..rs. porque o novo de hoje nao me encanta, pelo muito que se fazia com pouco os micros 8 bits eram fantasticos e te permitiam criar, hoje 99% dos usuarios sao escravos do que lhes foi dado e pois como tudo na vida, tudo passa, ate nós passamos , porem algumas pessoas tem o previlégio de deixar alguma coisa que cativa ou faz parte da vida das pessoas por longos anos e isso os 8 bits fizeram e por isso seus criadores tornam-se personalidades que quase nunca sao esquecidas.

    1. Lembre-se de que estes criadores do mundo 8 bits infelizmente pertencem somente a cultura retrô… Sequer o Wosniak está na boca deste povo adolescente, quem acabou ganhando os créditos para a sociedade foi o Steve Jobs.

      Em todo caso, todos que criaram esta nossa “época de outro” dos micros merecem nosso respeito, como por exemplo, Jack Tramiel, Jay Miner, Wosniak e Sir Sinclair (entre outros).

  5. Mauro,

    Parabéns pelo post. Conseguiu sintetizar bem o que é esse sentimento que temos pela retrocomputação.

    Abs,
    Daniel

    1. Quando percebi que o sentimento é coletivo, e a gente só percebe ele se afiliando a comunidades, senti que devia um texto como este a todos.

  6. Muito bom Mauro!

    Só posso falar uma coisa: Excelente post!

    Grande abraço!

  7. Parabéns pelo texto, Mauro.

    Aqui em casa é parecido. Quem “bota o freio” são a patroa e orçamento mensal. Não me sinto confortável em vender meus micros antigos, só os que descubro que não vou usar MESMO.

    Meu filho de quatro anos é apaixonado pelos meus Amigas e sempre pede pra jogar neles.

    1. Eu também não gosto de me desfazer de meus micros… Mas tive que assumir que não tenho condições nem espaço para ficar mantendo muitos ao mesmo tempo.

      Estou na fase de “filtragem” ainda, até eu decidir com quais micros vou me “casar pra sempre”, só sei que o Apple //e já um deles, não vendo por nada.

  8. Belo texto !! parabéns !!!
    O que eu vejo e talvez sinta é um certo preconceito dos membros da comunidade Retrocomputação com as pessoas que são “somente” “colecionadores” … que não tem capacidade ou interesse ou conhecimento para mexer profundamente nas máquinas, alterando-as, consertando-as, etc …
    Os colecionadores admiram profundamente o legado destas velhas máquinas, por n motivos, normalmente sentimentais .. e certamente contribuem com a preservação deste patrimônio histórico …
    Abraços, Luis Garcia / Porto Alegre

    1. Concordo com você e já vi isso em algumas comunidades. Tenho alguns amigos colecionadores que quando precisam de ajuda recorrem a mim ou se dirigem a técnicos de confiança em sua região para ajudá-los, e já notei que infelizmente em alguns lugares suas perguntas nem sempre são bem recebidas, pois como alguns colecionadores são abrangentes demais (videogames, computadores, caixas, manuais e afins), eles não tem tempo ou não desejam se aprofundar tanto em cada plataforma, sendo vistos com certo preconceito por aqueles entusiastas mais fervorosos de micros específicos.

      Mas não desanime, os colecionadores são fundamentais como preservadores dos objetos físicos que compõe a história, e vejo que o papel de vocês é tão importante quanto qualquer outro neste ramo de retrocomputação.

      Abraços.

  9. Além das catergorias que você mencionou, eu definiria pessoas como eu como sendo historiadores. Meu interesse pelo passado da informática é educacional e procuro aprender tanto sobre máquinas criadas antes de eu nascer como as da minha época.

    Eu até tenho alguns micros antigos, mas a maioria foram uma variação do seu caso 1: eu comprei quando novos, usei um bom tempo e depois vendi ou doei para outras pessoas. Ai elas usaram por muito tempo e quando conseguiram um computador mais novo já não compensava mais vender o antigo. Ao invés de jogar fora elas resolveram doar de volta para mim. Foi o caso do meu TI99/4A, Apple II, Mac Plus, iMac original e eMac – cada um tinha sido repassado para uma pessoa diferente e acabou voltando anos mais tarde.

    1. Você se encaixa de alguma forma, e já é raro pelo fato de ter começado pelo número 1… Veja bem, você não deixa de ser entusiasta, pois “Utiliza com paixão suas máquinas e aprende o máximo que puder sobre cada arquitetura”, mas não necessariamente mexe com programação ou eletrônica.

      Conheço outra pessoa que se encaixa dentro do contexto de entusiasta e pode se assemelhar a você, é o Marcus Garrett, autor do livro “1983: O Ano dos Videogames no Brasil” e fundador da revista digital “Jogos 80“. Ele não é programador e não mexe com eletrônica, mas é um fantástico escritor e historiador com uma profunda paixão por microcomputadores obsoletos, inclusive os mais obscuros. Ele é um cara que movimenta a comunidade através de vídeos, livros, comentários e avaliações.

      1. Na verdade, numa total falta de modéstia, me considero o segundo melhor projetista de computadores em atividade. Você pode ver alguns dos meus projetos antigos em http://www.merlintec.com:8080/hardware/album

        Infelizmente só restaram fotos. Minha coleção quase não inclui nada que eu mesmo projetei pois a maioria dos computadores ficaram com a USP e com um ex- sócio, que provavelmente jogaram tudo fora.

        Quanto ao Marcus, de vez em quando ele muda de uma das suas catergorias para outra…

        1. Puxa, interessante seu trabalho, uma pena que não tenha ficado com eles fisicamente para preservar a história.

          Com relação ao Marcus, na verdade todos nós pulamos de categorias com o tempo, vai da fase da vida e do tempo que temos disponível no momento, e obviamente sem contar a questão da grana, afinal, este nosso hobby costuma fritar nossas carteiras $$$…

  10. Ótimo artigo, Mauro, meus parabéns!

    Eu não me enquadro como colecionador, na verdade só quero possuir computadores que tive a oportunidade de usar no passado. Eu tenho até hoje um TK90X que comprei em 1985 e Amiga 1200 de 1992. Mais recentemente, complementei com a aquisição do CP200 (foi o meu primeiro micro) e , apesar de nunca ter usado, comprei um TK95 e TK85. Só falta agora um Amiga 500, que vendi para comprar o 1200. Talvez ainda um dia compre um ZX Spectrum 128 ou equivalente , mas acho que é só, não quero nada mais do que isto.

    Eu gosto de mexer na eletrônica desses bichinhos e também programação. Não me interesso em programar em equipamentos novos (PCs), quero mais é brincar com meus equipamentos clássicos e, em especial, o TK90X. Acho legal a linha Amiga, é um equipamento bastante avançado, mas praticamente não aprendi a programar nada nele (tentei AMOS BASIC, mas havia incompatibilidade entre os Amigas que me desanimou). Por isso me concentro no meu velho TK mesmo.

    Como me classifico? Sei lá, eu acho que só gosto de me divertir programando e mexendo no hardware do TK90X. Será que isto é ser entusiasta?

    1. Eu te classificaria hoje como entusiasta utilizador 😉

      Porque digo hoje? Porque no teu texto reconheci parte de mim… Então pode se preparar para ter um pouco de compulsão em breve, mas nada negativo, na verdade seria mais uma engrenagem que te impulsiona.

      Sabe, a gente até quer pouca coisa, mas quando começa a ver as mesas com todos os micros juntos, vem aquele pensamento “puxa, o micro XXX ficaria legal aqui também”, aí dá início a aventura, que mistura paixão, curiosidade e obviamente, um certo vício.

  11. Show…ja estive no nível maníaco(quase doente, queria tudo, mais medalhas mutley) mas atualmente estou contido(quase normal) e em busca de um bom uso dos que curto(+) e me livrarei do resto(tenho montanhas de videogames ataris, varios joysticks, velhos mas não raros). Novamente parabéns ótimo artigo!

    1. Eu também tive montanhas de videogames, mas com o perdão da má palavra, perdi o tesão nos consoles… Agora fiquei maníaco por micros antigos, ou na verdade só alimentei uma paixão que sempre existiu e agora tomou forma. Ter comprado um Amiga 600 em 2010 foi como acender um lança chamas em um posto de gasolina… BOOOOM!!!

      Gosto demais de estar presente neste mundo retrocomputacional, principalmente porque não apenas conheci grandes máquinas, mas também conheci grandes pessoas, e isso faz valer muito a pena. Sem as comunidades os micros antigos provavelmente não teriam tanta magia, e isso será o tema para o próximo post em breve.

      PS.: Ri alto aqui com “mais medalhas, mutley” 😉

  12. Fantástico, Mauro. O Cesar Cardoso inclusive fez um post lá no Retrocomputaria Plus, recomendando a leitura desse seu texto, que realmente está muito bom.

    Eu sou um entusiasta, mas não me considero um colecionador. Gostaria de ser um modificador e um restaurador, mas a falta de habilidades manuais e de tempo não me permitem. Meu 1o MSX foi transformado em MSX 2, comprei um MSX 2+ depois e vendi meu MSX 2. Dali, comprei meu Turbo-R e depois vendi meu MSX 2+. Logo acho q encaixo na opção número 1, já que desde 1986 tem sempre pelo menos um MSX na minha vida. Hoje são 4, o meu querido MSX Turbo-R (está comigo há 15 anos!), um MSX-on-a-chip, um Philips (NMS-8250) e um Sanyo MSX 2 (chegou hoje, tô seco p/ mexer nele!). Ainda está para chegar lá em casa um Goldstar e um Canon, ambos MSX 1. Mas n sei se vou vendê-los.

    Mantenho uma luta constante comigo mesmo, p/ n acumular tralha s/ uso. Prefiro ver um MSX na mão de alguém q vá usá-lo do q deixá-lo numa prateleira minha, pegando poeira. Se pudesse, montaria uma coleção de MSXs. Mas aí tem meus quadrinhos, meus DVDs, meus CDs, meus livros… Logo, não dá p/ ficar abusando da boa vontade da minha esposa e comprando tanta coisa, acumulando itens q n serão usados.

    Gostei da “regra dos 30 dias”. O problema é q essa regra pode acabar nos danando, qdo o item surge de repente, e aí, caranguejo que dorme a onda leva.

    Seu texto leva-nos a pensar sobre coleções, e o propósito delas. Muito bom, parabéns, gostei.

    PS: Li a frase do rodapé, sobre Linux e Windows. Apoiado! =D

    1. Agradeço muito seus comentários… E realmente, estar neste mundo da retrocomputação é uma maré complicada, eu mesmo por medo de perder alguns itens já dei lances e depois me arrependi, depois paguei o pato ficando com a grana curta, mas creio que isso deva acontecer com muitos de nossos amigos das comunidades.

      Hoje estou bem mais controlado, mas a gente sempre dá uma escorregadinha às vezes 😉

  13. Muito bom o artigo, Mauro.

    Só agora que voltei de viagem e me livrei de umas avaliações da faculdade que pude parar para ler. Muitas vezes, por falta de tempo ou qualquer outro motivo, os micros/vgs ficam quietinhos lá no canto deles, mas é bom saber que eles estão lá e a qualquer momento podemos simplesmente conectá-los na TV e passar o tempo que quiser (ou der) nos divertindo.

  14. Gostei muito do post, parabens ! eh legal saber que mais pessoas compartilham do mesmo sentimento por essas maquinas. minha paixao eh o pc mesmo, tenho alguns, uns 9 pcs, mas falta espaço e dinheiro para ter uma coleçao legal. tenho um blog que pretendo colocar uns reviews sobre meus pcs, dah uma olhada oldbytes.blogspot.com , realmente soh falta tempo para escrever, mas nao podemos desistir daquilo que gostamos.

  15. tenho um PC-XT dos anos 80 (8088 , monitor fosforo verde , disquete 360K ) , estou sem o teclado dele , ele aceita apenas teclados de Pc-XT , pois ele é chaveado………. alguém aqui saberia como eu posso ligar um teclado do tipo AT (286 , 386, 486) nele? tipo algum macete no plugn Dim , pois é difícil encontrar teclado do tipo PC-XT , aqueles com as tecla F1 , F2, etc na lateral do teclado.

    1. Nem me fale, tenho aqui exatamente o mesmo problema, e quando se acha um teclado de XT ou metem a faca, ou está podre…

  16. Pôrra, falar de retrô isso e aquilo me dá água na bôca! Pois fiquem sabendo que não gosto só de micros e outros babados eletrônicos de priscas eras. EU AMO Mainframes, supercomputadores, computadores analógicos ( que ainda Não se desenvolveram totalmente ) e trabalhei em máquinas loucas e mui avançadas, tudo em laboratório e fiquei doido com eles.
    Até hoje gosto de eletrônica, mecatrônica, ciência experimental, criar circuitos e aprender sempre, sempre ou talvez dar aula sobre todos esse conhecimento obtido na berlinda da tecnologia. Tenho 50 anos e meu QI é de 150 e vivo a explorar esse potencial em livros, hobbies e todo etcetera possível – Quadrinhos, Mangas, SCI-FI e vai por aí.
    E me mantive na encolha e encerrado num mutismo nada intelectual desde 80 para cá e os mini, micros e videogames de outrora me deram MUITA alegria e disposição para continuar a vida. Estou mais extrovertido e agora vou mais longe e me dedicar a isso tudo, cm parcimônia, claro!
    Meus conhecimentos se originam não só de leitura ou teoria, mas a prática me levou a considerar a possibilidade de me reciclar e aprender mais ensinando do que vivenciando…
    Parabéns, eu aprovo a retro-isso e retro-aquilo, não importa em que máquinas, coleções e objetivos físicos declinados!
    Ah, não é só MSX, TRS-80, mas também monstros como Eniac, os Cobra e outros me interessam pesquisar…

  17. Isto me lembra um momento da minha vida, lá pelo final dos anos 80, algo muito hilário que aconteceu e eu estava presente.
    Naquela época eu residia na minha cidade natal e eu tinha ido até o prédio da prefeitura visitar um colega de colégio e amigo que estava fazendo estágio no C.P.D. da prefeitura. Curiosamente o assunto nem era tanto a informática, mas estávamos a matar saudade de algum tempo sem nos falar (nada de celular, internet, twitter ou facebook naquela época).
    Eis que neste meio tempo surge uma pessoa no C.P.D. identificando-se como representante de uma empresa produtora de software e que tinha agendado uma demostração. Meu amigo argumentou que era só o estagiário e que os funcionários não retornariam pois estavam em uma palestra e já era final de tarde, o expediente acabaria logo e ele por ser estagiário não poderia fazer nenhuma avaliação. O vendedor não se intimidou e resolveu fazer a apresentação.
    Abancou-se em um terminal, por sinal lindíssimo, preto e prata se não me falha a memória, com monitor e teclado embutido além de dois disk-drives internos. Colocou os disquetes e deu um reset e nada de entrar o software. Falou algo sobre os disquetes talvez estarem com defeito e testaria outros. Meu amigo tentava a todo custo lhe dizer que não daria porque…. Era sempre interrompido pelo vendedor.
    Lá pela terceira ou quarta tentativa frustrada o vendedor olhou prá ele e disse algo tipo os acionadores devem estar com problema pois nenhum disquete funciona. Aí meu amigo perguntou algo tipo: “Este é um software para PC?” ao que respondeu o vendedor com uma assertiva e ele complementou algo tipo “Pois estou tentando te avisar desde o começo. Isto aí não é um PC compatível. É um computador CP/M EDISA que foi doado pela Unisinos para a prefeitura do município”.
    Imaginem a cara de babaca do vendedor. Demos muito risada depois e então fui prestar a atenção ao terminal. Era realmente lindo, muito profissional (ao menos era como deveria esteticamente se parecer um computador profissional na década de 80).
    Tenho lembrança dessa visita pois foi lá que vi disquetes flexíveis de oito polegadas que usavam nos computadores que já não estavam mais lá (provavelmente ou foram doados ou foram parar no lixão), além deste terminal cuja aparência ainda guardo, embora um pouco desbotada a lembrança. Só lembro que era da EDISA.
    Grande abraço.

  1. […] O Mauro, do Casa dos Nerds, fez um post longo e detalhado (com direito a taxonomia dos tipos de usuários de retrocomputação!) sobre Retrocomputação: hobby, vício ou estilo de vida? […]

  2. […] A taxonomia dos colecionadores, segundo Mauro Xavier […]

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